Em um passado não muito distante, eles já foram uma “coqueluche” no País. Quando lançados - o Fiat Tempra, em 1993, foi o precursor -, os motores 16 válvulas rapidamente conquistaram adeptos e diversos segmentos do mercado nacional, como o dos populares 1.0. Entretanto, atualmente, o prestígio dos 16V anda baixo. Prova disso é que hoje a oferta de veículos equipados com esse tipo de motorização é limitada e, não raro, muitos “torcem o nariz” e descartam a compra de carros 16V graças a uma série de fatores, muitos deles transformados em “mitos”, que os fizeram cair na preferência dos consumidores e, conseqüentemente, das montadoras.
Uma das causas da “desgraça” dos 16V no País foi o fato de terem ganhado fama de motores problemáticos e de alto custo de manutenção, um problema gerado, em grande parte, por culpa dos próprios fabricantes. É o que revela um representante do setor automotivo em Bauru, que pediu para ter o nome preservado pelo AutoMercado & Cia.
“No início, as fábricas recomendavam que as trocas de óleo dos 16V fossem feitas a cada 15 mil quilômetros, o que favorecia o surgimento de diversos danos mecânicos, muitos deles sérios e caros para serem reparados, como motores fundidos e válvulas entortadas, oriundos da lubrificação inadequada gerada pelas substituições demasiadamente longas dos óleos”, conta a fonte. “Foi por isso que ficaram com fama de propulsores que davam problemas com freqüência e eram custosos para se arrumar”, acrescenta.
O instrutor automotivo Lourival Ortiz de Camargo, da unidade bauruense do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), confirma as informações e vai além. “Realmente coincidiu a época do lançamento dos 16V com o alongamento dos períodos de revisões por quilometragem feitos pelas montadoras, que posteriormente perceberam o erro. Prova disso é que hoje o intervalo de troca do óleo para quem roda prioritariamente na cidade foi diminuído. Mas o que também influenciou para a queda comercial dos 16V foram os custos de sua fabricação às montadoras, que são muito mais altos do que os motores oito válvulas (8V)”, analisa.
Camargo explica que, por características construtivas, os motores 16V possuem mais componentes que os 8V, o que, dependendo do dano mecânico, pode elevar o custo da manutenção. “Nos 8V, os estragos são menores porque eles não têm característica de entortar as válvulas em caso de quebra de uma correia dentada ou de lubrificação deficiente, defeitos originários de manutenção incorreta. Já se isso ocorrer nos 16V, fatalmente as válvulas entortarão e o custo para consertar é bem maior, podendo variar de R$ 1.500,00 a R$ 4 mil”, esclarece.
Além disso, o instrutor explica que os motores 16V possuem melhor rendimento em altos giros, normalmente em uma faixa de torque entre 3.800 e 4 mil rotações por minuto (RPMs) ,que só é atingida em estradas.
Por essa razão, enfatiza Camargo, é que se diz que os 16V são melhores para uso rodoviário do que em trânsito urbano. “São motores em que sua força máxima é obtida em giros mais altos dificilmente atingidos em cidades. É por isso que eles dão a impressão que andam menos que os 8V, pois a condução em âmbito urbano, geralmente, não se atinge a rotação ideal para aproveitar a faixa de torque ideal dos 16V”, frisa o instrutor.
E completa:
“Já nos 8V os motoristas podem aproveitar a força do motor em faixas de torque mais baixas, razão pela qual os torna mais adequados ao uso em ambiente urbano. É por isso também que, atualmente, os 8V são maioria no mercado.”
Mas, apesar dessas características, Ca-margo ressalta que o fato dos 16V serem projetados para ter desempenho otimizado em rotações mais altas não inviabiliza seu bom aproveitamento na cidade. “Basta fazer a manutenção correta. Para isso, é fundamental utilizar óleos lubrificantes de boa qualidade e efetuar suas trocas sempre nos períodos indicados pelos fabricantes ou por seu mecânico de confiança”, enfatiza, para depois complementar:
“Isso evita a carbonização do motor, um dos problemas mais comuns nos 16V, e também nos 8V, causados pela manutenção inadequada.”
Por essas razões, Camargo enfatiza que não é preciso temer os 16V na hora da compra. “Bem mantidos, são ótimos veículos. Mas, se você tiver dúvida na hora de adquiri-lo, principalmente se for um usado, deve inspecionar antes o estado da correia dentada, do óleo e filtro do óleo para dar a palavra final”, orienta o instrutor.