09 de julho de 2026
Bairros

Compulsão pelo consumo atinge mais crianças, afirma neurologista

Lucien Luiz
| Tempo de leitura: 3 min

Engana-se quem pensa que a compulsão por compras é um problema de “gente grande”. A doença, conhecida como oneomania, atinge também as crianças. É o que afirma o neurologista Plínio Ferraz. Ontem a noite ele ministrou uma palestra sobre consumismo e neurociência aos pais de alunos do Colégio Batista, em Bauru.

De acordo com o médico, é importante que os pais saibam das conseqüências negativas que o desejo incontrolável pelo ato da compra pode trazer, especialmente para seus filhos. Para Ferraz, a mídia, através da massificação de produtos de consumo, inclusive na televisão, é a responsável pelo consumismo desregrado no meio infantil. O médico ainda cita que há muitos casos em que a criança decide, por exemplo, qual carro a família deve adquirir.

O médico destaca três conseqüências principais causadas pelo consumo desenfreado à vida das crianças. A obesidade infantil é um dos reflexos. Em geral, exemplifica ele, o pai satisfaz o pedido do filho por um novo biscoito lançado no mercado ou pelo cereal da “moda”, e acaba abrindo mão da alimentação balanceada que a criança precisa para se desenvolver adequadamente.

A segunda conseqüência apontada por Ferraz é a banalização do consumo. A criança, conforme o médico, perde ou não adquire a noção de valor do quanto custa o comprar. No entanto, ele comenta que os pais são os responsáveis por esse conceito que é gerado.

“Como trabalham fora o dia todo, para compensare essa ausência, atendem os filhos em tudo, principalmente com presentes. Eles dão o brinquedo que a criança quer, o tênis que ela gostou, incentivando a banalização do consumo, o que é extremamente prejudicial na formação desses menores”, alerta Ferraz.

O estresse familiar é o terceiro malefício ocasionado. Ele ocorre, explica o neurologista, quando os pais tentam dar um basta na situação, ou seja, não atendem o pedido da criança, que no momento, a qualquer custo, quer o produto que viu na TV.

Ferraz explica que o consumo compulsivo é uma forma de consolação, tanto para crianças quanto para adultos. A compra proporciona prazer momentâneo, assim como o efeito de uma droga, destaca ele. Na maioria dos casos, o consumidor não usufrui do produto e, por isso, passa a ter um sentimento de culpa e, conseqüentemente, é acometido por uma baixa auto-estima. É uma compulsão que afeta três em cada dez brasileiros.

“Os pais têm de impor limites, porque a criança ou o adolescente não pode simplesmente ganhar, têm de conquistar as coisas também. A mídia influencia através de várias armas, inclusive com mensagens diretas e subliminares”, orienta o médico.

O controle da doença, conforme Ferraz, só é possível através de medicamentos e psicoterapia. São maneiras de fazer com que a pessoa reconheça sua compulsão e que precisa de ajuda.

Entre os adultos, o desejo pela compra é mais comum entre as mulheres, analisa o médico. De acordo com ele, os principais sintomas são ansiedade e angústia. Os homens também são afetados, porém, compensam a compulsão na bebida, nos jogos ou em outras atividades.