01 de maio de 2026
Nacional

Exército segue investigando roubo no Rio

Folhapress
| Tempo de leitura: 4 min

São Paulo - O Ministério Público Militar investiga o envolvimento de cinco civis no roubo do armamento do Exército no último dia 3, no Rio. O ex-cabo do Exército Joelson Basílio da Silva, 23 anos, e o ex-soldado do Exército Carlos Leandro de Souza, 22 anos, tiveram a prisão temporária decretada. Em seu depoimento, o cabo Silva declarou que os cinco homens moram na favela Nova Brasília, no complexo do Alemão, onde o tráfico de drogas seria dominado pelo Comando Vermelho (CV). Na última quarta-feira, a “Folha” revelou que os dez fuzis e a pistola roubados só foram recuperados pelo Exército depois de um acordo com o CV.

O Exército se comprometeu a deixar as favelas ocupadas e em troca recebeu o armamento de volta, mas declarou oficialmente que o armamento foi encontrado próximo à Rocinha, onde o tráfico é controlada pela facção Amigos dos Amigos (ADA), rival do CV. O acordo também será investigado pelo Ministério Público Militar.

Armas

Na quinta-feira, dois dias após a suposta recuperação das armas em uma trilha em São Conrado, o Comando Militar Leste informou que militares do serviço de inteligência foram os responsáveis pela localização das armas. Antes, o Exército se negava a dar detalhes sobre a forma como as armas foram recuperadas. Segundo o general Hélio Chagas de Macedo Júnior, chefe do Estado-Maior, os militares chegaram ao local em carros descaracterizados e vestidos com roupas comuns.

No dia da apresentação das armas, ele havia dito que o Exército e a Polícia Militar (PM) tinham participado da recuperação. Como a reportagem revelou anteontem, não houve registro de movimentação militar na região na terça-feira passada. A câmera de segurança do imóvel da Universidade Candido Mendes na estrada das Canoas, a 1,5 km da trilha, não filmou a passagem de carros e pessoal do Exército no local no horário (18h15) em que o Exército anunciou ter achado o armamento.

Pessoas que moram e trabalham na região também afirmaram que não houve movimentação do Exército ou da PM no local. Roubo Sete homens vestindo roupas camufladas e toucas ninja invadiram o Estabelecimento Central de Transportes (ECT), renderam e agrediram soldados responsáveis pela guarda e roubaram armas que estavam em armários. Um inquérito policial militar foi instaurado após o roubo.

Para realizar a operação em busca das armas, o Exército obteve mandados de busca na Justiça Militar. Confrontos Os militares ocuparam, no total, 11 morros ou favelas do Rio desde o roubo das armas - no último dia 3. Na ocasião, sete homens vestindo roupas camufladas e toucas ninja invadiram o Estabelecimento Central de Transportes (ECT), renderam soldados responsáveis pela guarda e roubaram armas que estavam em armários. Para realizar a operação em busca das armas, o Exército obteve mandados de busca na Justiça Militar.

Durante os trabalhos, confrontos entre os militares e criminosos foram freqüentes. O mais intenso ocorreu no último dia 10, quando quatro pessoas ficaram feridas no morro da Providência, entre elas um bebê. No dia 6, um rapaz de 16 anos foi atingido por um tiro e morreu no morro do Pinto, enquanto observava a ocupação no vizinho morro da Providência. No dia 13, o Exército iniciou a segunda fase da operação. Os militares saíram dos morros e favelas e foram priorizadas ações mais seletivas e pontuais.

Líder do tráfico

Apontado como um dos principais líderes da facção criminosa ADA, o traficante Gílson Ramos da Silva, o Aritana, foi morto na noite de ontem em um tiroteio com policiais militares, no morro de São Carlos, no Estácio (zona central do Rio), um de seus principais redutos. Aritana sucedeu Irapuan David Lopes, o Gangan, morto em 2004, no comando do tráfico no São Carlos.

Ele tentou reagir a abordagem de policiais militares do Batalhão de Operações Especiais (Bope) e foi baleado. Morreu no hospital Souza Aguiar (centro). Um suposto comparsa do traficante também morreu.

A polícia informou que chegou até ao criminoso após receber um Disque-Denúncia sobre a sua localização. Além do São Carlos, Aritana comandava também o tráfico nos morros da Coroa (Santa Teresa, zona central), Zinco (Catumbi, zona central) e Querosene (Rio Comprido, zona norte).

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Força-tarefa será mantida

São Paulo - O secretário da Segurança Pública do Rio, Marcelo Itagiba, e o comandante do Comando Militar do Leste (CML), general Domingos Curado, decidiram que a força-tarefa será mantida até a conclusão do inquérito policial militar aberto para investigar o roubo de armas do Estabelecimento Central de Transportes do Exército, em São Cristóvão, no último dia 3.

A força-tarefa é integrada por unidades operacionais e pelas áreas de inteligência da Secretaria de Segurança e do Exército. Os dez fuzis e uma pistola roubados do quartel foram recuperados na noite de terça-feira, em uma trilha em São Conrado - junto à favela da Rocinha -, segundo o Exército.