Tranqüilidade e visão privilegiada são os principais aspectos apontados pelos moradores dos últimos andares de prédios para justificarem suas escolhas. Realmente, nos últimos andares de um edifício, não se escuta o barulho, do salão de festas, da área de lazer, do estacionamento, não há muita poeira nem insetos, mas existem outros inconvenientes que apenas quem habita estes locais conhece.
Durante cinco anos, o advogado Reinaldo de Oliveira, 45 anos, morou no último andar do prédio residencial mais alto de Bauru, o Edifício Astúrias, que tem 22 andares no total. Oliveira, que há um ano e meio mora em uma casa, diz que nunca gostou de morar em apartamentos, mas optou pelo local porque sua esposa se sentia mais segura. “O elevador demora muito para chegar, tem o barulho da caixa de máquinas do elevador e nos cinco anos que morei lá, meu sogro nunca foi nos visitar, porque tinha vertigens caso o fizesse”, conta. Além do barulho da casa de máquinas do elevador, ele conta que em dia de jogos de futebol e Copa do Mundo, os rojões estouravam no seu ouvido.
Como vantagens de morar em tão alto andar, Oliveira aponta a boa ventilação e a vista privilegiada. “Bastava abrir duas janelas e a corrente de ar que se formava era muito forte. A visão também era muito bonita, mas ainda prefiro morar em casa”, explica.
Apesar de não ser incomodado por insetos voadores ou rasteiros, o advogado diz que certa vez um morcego entrou por sua janela. Para quem nunca morou em andares altos de prédio, este pode parecer um fato inusitado, mas não é. A professora aposentada Hília Santos de Arruda Campos, 65 anos, proprietária do último apartamento de um prédio no centro de Bauru, conta que um morcego também já entrou na sacada de sua casa. Mas isso não foi motivo para que ela deixasse de “gostar muito” do 12.º andar. “Não escuto barulhos, o ar circula bem e a vista é maravilhosa”, diz.
Tanto Campos como Oliveira relatam que já precisaram descer pelas escadas do prédio. Campos conta que há alguns anos houve um problema na parte elétrica do elevador e que a tarefa de descer 12 andares não foi fácil. Oliveira, por sua vez, diz que o problema com ele foi um princípio de incêndio no apartamento vizinho que ocasionou o “exercício” forçado. “Imagine descer 22 andares pela escada. Foi complicado”, salienta.