Jaú – Uma das principais armas contra o câncer é o trabalho voluntário, que na região mobiliza um exército de anônimos. O combate à doença movimenta 3.500 pessoas, distribuídas em 84 municípios do Estado de São Paulo,sem contar, voluntários em Muzambinho, em Minas Gerais, Brasilândia, no Mato Grosso do Sul, e Jacarezinho, no Paraná.
Esse contingente de voluntários atua com apoio psicológico, remédios e alimentos para cerca de 10 mil pacientes e familiares atendidos no Hospital Amaral Carvalho, em Jaú, centro hospitalar de referência em oncologia.
A rede de combate ao câncer é coordenada pela entidade Anna Marcelina de Carvalho, mantida pela Fundação Amaral Carvalho. O diretor da Anna Marcelina, José Eduardo Nadalet, explica que o voluntariado à distância é fundamental para a auto-estima e cura do paciente. É quando retorna ao seu município que a pessoa, muitas ainda em tratamento, não pode baixar a guarda. Nessa fase, conta com o trabalho dos voluntários, organizados em Ligas de Combate ao Câncer. A pessoa tratada no Amaral Carvalho recebe medicamentos, alimentos, visitas domiciliares e auxílio social (roupas, calçados, material de higiene e obtenção de documentos).
Pacientes da região norte do Estado são atendidos em Barretos, São José do Rio Preto e Ribeirão Preto. A demanda da região leste é atendida em Campinas, São Paulo e Santos.
A Fundação mantém ainda a Casa de Apoio Ignez de Carvalho Montenegro, com três espaços de atendimento – uma para paciente infantil, outro para transplantado adulto e infantil e outro para radioterapia e quimioterapia. A Casa de Apoio Infantil começou a funcionar neste ano, com 30 leitos para crianças e adolescentes. Hoje, oito pacientes estão sendo atendidos com permanência estimada de até três meses. A Casa de Apoio de Transplante atende, atualmente, 38 pacientes e acompanhantes. Abriga pessoas do Amazonas, Paraíba, Rio de Janeiro, Pará, Santa Catarina, Maranhão e outros Estados. A Casa de Apoio para quem está em tratamento – radioterapia e quimioterapia – abriga 106 pacientes de ambos os sexos. Nadalet comenta que no ano passado foram atendidos 3.101 pacientes que originaram 21.923 diárias. Quando o paciente está debilitado sua permanência é no Amaral Carvalho.
Para manter essa estrutura de atendimento, a Anna Marcelina conta hoje com 220 voluntários engajados em 13 subgrupos. A estrutura se assemelha a uma empresa, só que ao invés de setores ou departamentos, foram montados subgrupos. Há voluntários engajados na confecção de fraldas, outros na organização de bazar, outros de eventos, visitas familiares, empacotamento de bolachas, organização do estoque, apoio às mães da pediatria, na prótese mamária e outros afazeres.
Na luta contra o câncer de mama, Zelinda de Castro Santana, 80 anos, chegou à Casa de Apoio para iniciar a fase terapêutica – quimioterapia e radioterapia – após uma cirurgia (mastectomia que consiste na retirada da mama). Ela se mudou recentemente de São Paulo para o município de Ourinhos. Santana comenta que é a primeira vez que desenvolve a doença, que trata em Jaú desde dezembro passado. Diante da recepção na entidade, a paciente aparentava confiança na recuperação. “Aqui é uma maravilha, porque é apoio mesmo. É disso que o mundo está precisando”, revela. Usufruindo da mesma estrutura, Orácio de Meira, 65 anos, veio de Guareí, São Paulo. “Estava no bico-de-corvo, mas escapei”, comenta.
Thereza Elza Segalla Garrido, 79 anos, se tranformou em uma “combatente voluntária do câncer” após o falecimento do marido dela, em 1995, em virtude de complicações causadas por um câncer no esôfago, tratado no Amaral Carvalho. Segundo Garrido, inicialmente ela relutou, mas acabou cedendo diante da insistência de Nadalet. Hoje, ela atua na Rede do Câncer de Lençóis Paulista, entidade que ajudou a fundar em 1997.
A filha de Garrido, Regina Célia Segalla Gabriel, 53 anos, comenta que o voluntariado é incessante para evitar a paralisação dos trabalhos das entidades. “Nós trabalhamos muito para não ter que dizer que não pode atender uma pessoa”, ressalta.