11 de julho de 2026
Esportes

Série grandes tenistas bauruenses: Edvaldo: de pegador a vice do Banana Bowl

Gabriel Pelosi
| Tempo de leitura: 5 min

Encerrando a Série Grandes Tênistas de Bauru, o JC entrevistou Edvaldo de Oliveira. Edvaldo começou em Bauru, hoje mora em São José do Rio Preto e é técnico de um dos melhores tenistas brasileiros da atualidade. Veja a seguir alguns trechos da entrevista com o tenista.

JC - Com quantos anos iniciou no tênis? E onde?

Edvaldo - Iniciei com 10 anos, como pegador de bolas no Bauru Tênis Clube.

JC - Quais eram as dificuldades para jogar e viajar?

Edvaldo - Para jogar já era difícil, porque não tinha o material adequado e esperava as pessoas me emprestarem uma raquete ou até mesmo tênis (calçado). Viajava graças ao sr. Cláudio Sacomandi, que dava um jeito do clube pagar para mim.

JC - Qual foi seu primeiro título importante?

Edvaldo - O primeiro título sempre é o mais importante, foi aos 14 anos, em Piracicaba.

JC - Como fazia para viajar, para pagar as despesas? Tinha patrocínio?

Edvaldo - Tinha o patrocínio da Coca-Cola e da Casa Moreira. O clube ajudava bastante também.

JC - Quais foram seus principais títulos?

Edvaldo - Como juvenil, ganhei vários títulos paulistas e brasileiros, mas o mais importante foi o vice-campeão do Banana Bowl nos 18 anos. Como profissional, ganhei mais títulos em duplas e várias semi-finais em simples, mas vou destacar o vice-campeonato do Circuito Satélite na Finlândia, no geral, pois naquela época os satélites eram duríssimos.

JC – Você tinha algum ídolo?

Edvaldo - Meus ídolos eram o Jimmi Connors, Guilhermo Villas, meu irmão Edson Oliveira e o Celso Sacomandi.

JC - Muita gente pensa que os profissionais ganham muito dinheiro, o que você acha?

Edvaldo - Realmente ganha, mas você tem que estar entre os top 20 do mundo.

JC - Qual a diferença do tênis atual para a sua época?

Edvaldo - Hoje em dia, é o tênis força que prevalece, muito preparo físico, pouca técnica. Os materiais do tênis, essa nova tecnologia, sempre aparecendo coisas novas, ajudam muito os jogadores. Na minha época, o jogador tinha que ser mais hábil, senão não conseguia jogar por causa do material ser de madeira.

JC - Se pudesse ganhar um torneio, qual gostaria de ter ganho?

Edvaldo - É o sonho de todos ganhar Roland Garros.

JC - Se o tempo voltasse atrás, faria alguma coisa diferente do que fez?

Edvaldo - Não, fiz o que pude para jogar meu melhor tênis, mas era tudo muito difícil, para viajar, as despesas, viagens etc. Joguei muito na Europa por causa da parte financeira também. Sempre fui muito disciplinado, sempre procuro dar o melhor de mim no que faço.

JC - Qual foi sua maior alegria no tênis?

Edvaldo - Foi quando meu irmão Edson me colocou para trabalhar como boleiro no BTC. Naquele momento, senti que poderia ser alguém na vida. E quando ele me deu minha primeira raquete Sulina.

JC - E a maior tristeza?

Edvaldo - Foi meu irmão ter entrado nas drogas por causa de más companhias. Aí, não pude tê-lo ao meu lado nem como irmão mais velho, nem como parceiro de treino e dupla. E nem como técnico também. Então, muito novo, tive que assumir tudo sozinho. Aos 15 anos, dava aulas na casa do Renato Joaquim, quatro horas por dia, treinava três horas, fazia inglês na hora do almoço e ia na escola à noite. Já tinha que levar o sustento para minha casa.

JC - Dos jogadores que você enfrentou no circuito, quais foram os que mais lhe impressionaram?

Edvaldo - Foi o Miloslav Mecir e o Emílio Sanches, ambos foram top 5 do mundo.

JC - E sobre o atual tênis brasileiro, o que você acha?

Edvaldo - Sobre o tênis precisaríamos de um dia todo para falar. Mas vou dar uma resumida. Falta estrutura por parte das nossas entidades. Temos muita gente boa hoje no Brasil trabalhando com tênis, não ficamos atrás de nenhum país. Mas não temos suporte de nenhuma entidade. Estive nos Estados Unidos mês passado por quatro semanas, é incrível o apoio que os jogadores têm das federações.

JC - Qual conselho você daria aos jovens que estão iniciando no tênis?

Edvaldo - Jogar tênis é a melhor coisa do mundo, você não precisa ser o campeão. Se for o campeão da sua casa já está bom. Não se preocupem tanto com resultados. Façam como os velhos do seu clube, jogue por prazer, treine com prazer. Isso é o mais importante, os resultados acontecem naturalmente

JC - E para quem sonha em ser profissional?

Edvaldo - Realmente você tem que sonhar em ser profissional, porque só querer não é o suficiente. O circuito está cada vez mais duro, muita gente jogando bem. Tem que trabalhar muito duro, ser disciplinado e persistente. Aí, depois de três anos, os resultados começam a aparecer, três anos após os 17 anos de idade.

JC - Você morou na Alemanha? Quando e o que foi fazer lá?

Edvaldo - Foi umas das melhores experiências que tive na minha vida, tanto profissional como na vida particular. Morei em Weil im Schonbuch, o clube tem o mesmo nome da cidade, próximo de Stuttgart, no Sul da Alemanha.

JC - Hoje, você trabalha em Rio Preto com os garotos, ou é exclusivo do Tiago Alves?

Edvaldo - Hoje, trabalho só com o Thiago Alves. Recomeçamos oficialmente em janeiro. Antes, estava coordenando o CT do harmonia tênis clube em São José do Rio Preto.

JC - O que você acha que falta para ele ser um dos top na ATP?

Edvaldo - Estamos bem próximos de alcançar este objetivo, já que o Thiago está em 140. Objetivo é dele estar em julho entre os top 100.

JC - Já esteve na Davis como jogador e como auxiliar técnico. Conte sobre isto.

Edvaldo - Estar na Copa Davis realmente foi muito bom, é uma experiência única. Ter feito parte da comissão técnica foi muito bom também.

JC - Como era na época que jogava em Bauru?

Edvaldo - Tive uma fase muito boa em Bauru. Nessa fase de juvenil, passava todo o tempo no clube. Tive muito apoio do seo Cláudio (Sacomandi). Muita gente boa treinava comigo, éramos como uma grande família.