09 de julho de 2026
Nacional

Cresce investimento no Tesouro Direto

Por Fabricio Vieira | Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

São Paulo - Nunca houve tanta gente aplicando em títulos públicos por meio do Tesouro Direto. Em fevereiro, foram totalizados 53,58 mil investidores cadastrados nesse sistema de negociação de títulos do governo pela Internet. Mas o crescimento desse sistema pode perder força. O atual processo de queda na taxa básica da economia, a Selic, que está ontem em 16,50%, pode desestimular os investidores. Na média, os bancos projetam a Selic próxima dos 14,50% no fim de 2006.

A taxa Selic serve de parâmetro para os juros pagos pelos títulos públicos federais. Além da queda da taxa básica de juros, o governo decidiu recentemente pela isenção da cobrança de Imposto de Renda (IR) dos investidores estrangeiros que aplicarem em títulos do governo. A intenção do governo era a de alongar o prazo médio dos títulos federais oferecidos no mercado e derrubar as taxas.

Pequenos investidores

Desde seu lançamento, há pouco mais de quatro anos, o Tesouro Direto foi muito mais utilizado por pequenos investidores ligados de alguma forma ao mercado financeiro -como empregados de instituições financeiras, por exemplo. Mas profissionais do mercado financeiro dizem que, aos poucos, o pequeno investidor está descobrindo essa forma de aplicar suas economias.

Segundo o levantamento, no mês passado, 1.909 novos investidores passaram a investir por meio do Tesouro Direto. “Notamos que há pequenos investidores participando desse segmento do mercado financeiro”, diz Álvaro Bandeira, diretor da corretora Ágora Sênior. No lançamento do Tesouro Direto, o governo afirmou que os objetivos do novosistema de negociação eram democratizar o acesso para investimentos em títulos federais e incentivar a poupança de longo prazo por parte das pessoas físicas.

O Tesouro Direto foi criado pelo governo em janeiro de 2002. Por meio dele, as pessoas podem adquirir papéis federais fazendo operações pela Internet. Muitos títulos públicos são comprados pelas instituições financeiras para comporem as carteiras de fundos DI e de renda fixa. Investir diretamente nos papéis pode ser vantajoso, pois dá maiores chances de a pessoa física realizar negócios mais rentáveis.

Antes de começar a aplicar pelo site (www.tesouro.fa zenda.gov.br/tesouro_direto/) é necessário entrar em contato com um dos agentes credenciados para operar o sistema - como corretoras e alguns bancos - e fazer a inscrição. Depois, o investidor ganha uma senha por meio da qual realizará negociações de títulos públicos por meio da Internet.

O valor médio das operações do Tesouro Direto em fevereiro chegou aos R$ 16,45 mil. Um ano antes, esse valor era de R$ 9,64 mil. Em tese, aplicar em um título público é uma das formas mais seguras de investir. Ao comprar o papel, o investidor está emprestando dinheiro ao governo. Mas, se um país decretar a moratória de sua dívida interna, os investidores terão de amargar perdas.

Em fevereiro, o título mais negociado pelo Tesouro Direto foi o NTN-C - que é atrelado à variação do IGP-M. Foram negociados R$ 18,28 milhões desses papéis.