30 de abril de 2026
Internacional

Iraque está em guerra civil, diz ex-premiê

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Bagdá - O ex-premiê do Iraque Iyad Allawi, árabe xiita, disse ontem que o país está imerso “desgraçadamente em uma guerra civil”, cujas conseqüências afetarão a Europa e os EUA. “Talvez não tenhamos alcançado o ponto sem retorno, mas estamos perto.” O tema da guerra civil tem dominado o terceiro aniversário da invasão americana (que, pelo horário de Brasília, começou às 23h35 do dia 19 de março de 2003).

Os analistas estão divididos sobre o assunto, e o clima no país é cada dia mais tenso. “Estamos perdendo uma média de 60 pessoas por dia, senão mais, em todo o país. Se isso não é uma guerra civil, então Deus sabe o que é uma guerra civil”, disse Allawi.

A declaração foi rebatida pelo presidente iraquiano, o curdo Jalal Talabani, mas sem muita convicção -o próprio Talabani recentemente havia alertado sobre a ampliação do conflito entre xiitas e sunitas. “Não se pode descartar totalmente o risco de guerra civil”, disse o presidente. “O povo iraquiano não pode aceitar uma guerra civil. Temos dificuldades, mas o apego dos iraquianos a seu país impedirá uma guerra dessas.”

Do lado americano, as autoridades também se esforçaram para minimizar os sinais de conflito generalizado no Iraque. O vice-presidente dos EUA, Dick Cheney disse que os “terroristas” estão fazendo “sérios esforços” para fomentar a guerra civil, mas “eles não estão sendo bem-sucedidos”. Já o comandante militar americano no Iraque, general George Casey, afirmou que a guerra civil não é nem iminente nem inevitável: “Há violência terrorista no Iraque? Há. Más temos um longo caminho até uma guerra civil.”

Para Talabani, o Iraque se encaminha a uma “fórmula de acordo nacional”. Mas árabes sunitas, árabes xiitas e curdos ainda não chegaram a um consenso sobre um governo de união nacional. A expectativa é sobre a participação do xiita Irã, que tem fortes laços com o governo interino iraquiano, nas negociações para estabilizar o Iraque. Talabani defendeu essa mediação.

Diplomatas americanos devem se encontrar com representantes iranianos na próxima semana, segundo fontes políticas iraquianas citadas pela agência Reuters. Mas os EUA, que consideram o Irã parte do “eixo do mal”, expressaram desconfiança sobre os iranianos. “Eles estão jogando um jogo muito delicado”, disse o general Casey. “Por um lado, eles querem um vizinho estável; por outro, eu não acredito que eles queiram que nós (os americanos) sejamos bem-sucedidos lá.”

Em Teerã, um funcionário iraniano disse que espera que as negociações foquem “num prazo para a retirada das forças de ocupação”. Casey, no entanto, disse que as tropas americanas devem ficar no Iraque por “mais um par de anos”, com redução gradual à medida que as forças iraquianas esteja mais bem preparadas.

O terceiro aniversário da Guerra do Iraque foi marcado por protestos em várias partes do mundo, inclusive nos EUA. Em Chicago, mais de 7.000 pessoas marcharam ontem exigindo a retirada dos soldados americanos. Em um ataque em Duluiya, forças americanas mataram oito pessoas, depois que uma patrulha foi emboscada.

Segundo a polícia iraquiana, entre os mortos estão um menino de 13 anos e seus pais. O comando dos EUA disse que os mortos eram “terroristas”.