10 de julho de 2026
Internacional

Marinha da Argentina é acusada de espionar governo; Justiça investiga roubo de dados

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Buenos Aires - Às vésperas do 30.º aniversário do golpe de Estado, dois oficiais de alta patente da Marinha da Argentina foram afastados dos cargos, acusados de participar de esquema de espionagem ilegal de integrantes do governo, incluindo a ministra da Defesa, Nilda Garré, e de vários militantes de direitos humanos. O escândalo estourou na sexta-feira, quando a ONG Centro de Estudos Legais e Sociais (Cels) denunciou à Justiça, com base num depoimento de um militar, o suposto trabalho de espionagem feito em uma base da Província de Chubut (Sul do país).

Por ordem judicial, foram apreendidos documentos e arquivos de computador na base Almirante Zar, na cidade de Trelew. Além de material sobre militantes de direitos humanos, havia informações sobre a ministra da Defesa e sobre o ex-vice-ministro da pasta, Jaime Garreta. Sobre Garré, não foram achados informes de espionagem (relato de reuniões ou acompanhamento de rotina): apenas dados públicos. Ainda assim, a inclusão da ministra no arquivo ilegal amplificou a crise.

Garré foi advogada de desaparecidos durante a ditadura (1976-1983) e assumiu a Defesa em novembro, para mal-estar de parte da cúpula militar. Sobre Garreta, porém, havia até relato de quando ele foi detido pela polícia em 1966, quando participava de uma manifestação estudantil - o que reacendeu o debate sobre a existência de arquivos de espionagem, do regime militar e de antes. Militares negam que haja papéis do período.

Com a crise, foram afastados dos postos o comandante de Operações Navais (número três na linha hierárquica), vice-almirante Eduardo Avilés, e o diretor de Inteligência Naval, contra-almirante Pablo Rossi. Desde a década passada, as Forças Armadas argentinas são proibidas de realizar atividade de inteligência dentro do país.

Além do caso de espionagem militar ilegal, a Justiça federal argentina investiga o suposto roubo e venda de dados sigilosos de 12 milhões de pessoas, que estavam em poder de um órgão público, a uma empresa privada de análise de crédito. As informações estariam em poder da Administração Nacional de Seguridade Social (Anses) e se referem aos beneficiários dos chamados planos sociais, espécie de Bolsa Família do governo argentino, e àqueles que recebem seguro-desemprego.

A investigação da Justiça sobre suposto tráfico de informação foi relatado na edição de ontem do jornal “La Nación”. Segundo a reportagem, os dados teriam sido roubados das bases da Anses e traficados à empresa a P&P Dados, que faz análise de concessão de crédito (algo como os serviços do Serasa no Brasil). Neles, há nome, endereço, perfil sócio-econômico (quanto é o rendimento e quantos dependentes tem).