10 de julho de 2026
Nacional

Francenildo oferece dados secretos para senador do PSDB

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Brasília - Enquanto os senadores discutiam a legalidade e a função de quebrar o sigilo bancário do caseiro Francenildo Santos Costa, o Nildo, o senador Álvaro Dias (PSDB-PR) recebeu uma ligação a cobrar. Francenildo oferecia ao Senado todas as informações de suas contas.

“Ele me disse que, embora o sigilo já esteja quebrado, ele oferece toda a sua movimentação bancária”, afirmou. “Mas ele fez uma cobrança. Ele me disse: espero que os ricos que estão sendo investigados façam os mesmo”, acrescentou Álvaro Dias em relato do telefonema.

Na semana passada, dados da conta de Francenildo foram publicados pela revista “Época” numa quebra de sigilo ilegal. Não havia pedido, por exemplo, na CPI dos Bingos para que o sigilo fosse aberto e não havia investigação sobre o caseiro.

Diante disso, o PSDB vai ao Ministério Público pedir a investigação sobre o procedimento da Caixa Econômica Federal, onde Francenildo tem conta, da Polícia Federal (PF) e do Banco Central (BC).

O advogado do caseiro, Wlício Chaveiro Costa, ingressou, com o mesmo objetivo, na Procuradoria da República no Distrito Federal. Os oposicionistas, por sua vez, apresentaram requerimento ao plenário para tentar abrir o sigilo do presidente do Sebrae, Paulo Okamotto, acusado de pagar uma dívida do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), afirmou que o requerimento para abrir o sigilo de Okamotto atende ao pedido de Francenildo. ‘Ele se porta como um homem de bem”, afirmou Virgílio.

Lulinha

Os governistas e oposicionistas travaram ontem uma disputa em torno das quebras de sigilos no plenário do Senado. A disputa culminou no pedido de quebra de sigilo bancário do filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Fábio Luiz Lula da Silva, o Lulinha, pelo senador Antero Paes de Barros (PSDB-MT).

O filho do presidente foi incluído nas investigações da CPI dos Correios por ter recebido um aporte de capital de R$ 5 milhões da Telemar e uma verba anual de publicidade no mesmo valor. Os oposicionistas que integram a comissão desconfiavam que fundos de pensão pudessem ter desviado recursos para a empresa de jogos de Fábio Luiz.

A ação de Antero reforçou o pedido feito pouco antes pelos senadores Antônio Carlos Magalhães Neto (PFL-BA) e Arthur Virgílio (AM), líder do PSDB no Senado, de quebra do sigilo do presidente do Sebrae, Paulo Okamotto. Investigado pela CPI dos Bingos, Okamotto já teve seu sigilo quebrado, mas os dados estão protegidos por liminar concedida pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Ele virou alvo de investigação depois de assumir o pagamento de uma dívida do presidente Lula.

A líder do PT no Senado, Ideli Salvatti (SC), reagiu e criticou a iniciativa de quebrar o sigilo do filho do presidente. “O requerimento é afrontoso a toda e qualquer regra de convivência nesta Casa”, afirmou.

O líder do PSDB respondeu com a acusação de que petistas teriam tentado investigar a vida de um filho do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. “Se quiseram investigar a vida de um filho do presidente Fernando Henrique, podemos investigar o filho do presidente Lula”, disse.

Os dois pedidos foram uma resposta ao requerimento do petista Tião Viana (AC), que pediu a transferência de dados sigilosos do caseiro Francenildo Santos Costa, que acusa o ministro Antônio Palocci (Fazenda) de freqüentar a casa alugada por ex-assessores da prefeitura de Ribeirão Preto. Todos os requerimentos precisam ser encaminhados à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado para votação. Em seguida, voltam à Mesa do Senado e seguem para a análise do Supremo Tribunal Federal (STF), a quem caberá a decisão de quebrar ou não os sigilos solicitados.

Francenildo adiantou-se e telefonou ao senador Álvaro Dias (PSDB-PR) oferecendo seus dados bancários. Ele afirmou que já teve seus dados bancários divulgados na semana passada, mas mesmo assim iria oferecer aos senadores todas as informações de suas contas. Os oposicionistas cobram de Okamoto a mesma postura.