09 de julho de 2026
Nacional

Inflação pelo IGP-M tem queda de 0,10%

Por Janaina Lage | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Rio - O Índice Geral de Preços ao Mercado (IGP-M) registrou deflação de 0,10% na segunda prévia de março, segundo dados divulgados ontem pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Trata-se de um aprofundamento da queda de preços na comparação com igual período do mês anterior, quando o indicador havia registrado uma taxa negativa de 0,01%. A perda de fôlego da inflação foi puxada pelo comportamento dos preços no atacado, que representam 60% da taxa.

Em março, o Índice de Preços por Atacado (IPA) registrou deflação de 0,21%, influenciada pela queda nos preços dos produtos agrícolas. Em março, o indicador havia apurado uma taxa negativa de 0,08%. A exceção no atacado ficou por conta dos produtos acabados, que passaram de 0,27% na segunda medição de fevereiro para 0,80% na segunda parcial de março.

Os alimentos processados foram os principais responsáveis pela aceleração: passaram de -1,25% para 0,35%, com destaque para o óleo de soja refinado (0,91%). Os insumos industriais registraram deflação de 0,09% na segunda prévia de março após uma alta de 0,17% na segunda medição de fevereiro. O destaque ficou com o subgrupo suprimentos, que recuou de 0,35% para -2,16%.

A queda nos preços de produtos como milho (-5,09%), café (-5,77%) e soja (-5,09%) levou a uma nova desaceleração nas matérias-primas brutas. Elas passaram de -0,32% na segunda prévia de fevereiro para -1,84% na segunda medição de março.

A queda só não foi maior em razão da aceleração de itens como bovinos (-3,59% para -0,46%), aves (-5,89% para -1,41%) e suínos (-10,61% para 1,92%). Os combustíveis continuaram a pressionar a inflação no atacado, com destaque para o álcool hidratado (de 4,71% para 6,25%) e para os óleos combustíveis (-3,18% para 2,35%).

O primeiro foi influenciado pelo período de entressafra e pelo aumento na demanda por álcool com o crescimento das vendas de carros bicombustíveis. O segundo acompanha o comportamento do petróleo no mercado internacional.

A inflação para o consumidor voltou a subir na segunda prévia de março e passou de 0,05% para 0,1%. O grupo que mais contribuiu para a aceleração foi alimentação (de -0,68% para 0,03%). Nesta classe de despesa, 14 dos 21 itens pesquisados apresentaram acréscimo em suas taxas. Os principais destaques foram hortaliças e legumes (-4,71% para -0,97%), carnes bovinas (-2,81% para -0,61%) e arroz e feijão (-0,19% para 1,05%). Para o consumidor, as principais pressões de combustíveis vieram do álcool (de 7,18% para 8,44%) e da gasolina (de 1,02% para 1,51%). A gasolina possui uma parcela de álcool em sua composição.

Os custos na construção civil desaceleraram de 0,34% na segunda prévia de fevereiro para 0,19% na segunda medição de março. A alta nos preços de materiais e serviços perdeu fôlego e passou de 0,63% para 0,24%. O item mão-de-obra registrou alta de 0,12% em razão dos reajustes salariais nas cidades de Belém, Porto Alegre e Salvador. No ano, o IGP-M acumula alta de 0,83% e nos últimos 12 meses, de 0,50%. Os preços foram coletados entre os dias 21 de fevereiro e 10 de março.

IPC

Os preços no município de São Paulo tiveram alta de 0,26% na segunda quadrissemana deste mês (período de 30 dias até o último dia 15), de acordo com dados divulgados ontem pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas da USP (Fipe).

Na primeira quadrissemana de março, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fipe havia apresentado alta de 0,16%. A segunda quadrissemana de fevereiro, por sua vez, havia mostrado uma alta de apenas 0,01%. Nos últimos 30 dias, a maior alta foi a registrada no grupo Transportes, de 0,92% (sendo também o que teve maior peso no aumento geral dos preços no período).

A maior baixa, por sua vez, foi a do grupo Vestuário, que teve deflação de 0,67%. Os demais grupos apontaram as seguintes variações: Habitação (-0,01%); Alimentação (0,50%); Despesas Pessoais (-0,05%); Saúde (0,64%); e Educação (0,06%). A Fipe calcula a cada semana as variações quadrissemanais do IPC do município de São Paulo, para as famílias com renda entre um e 20 salários mínimos (até R$ 6 mil).