09 de julho de 2026
Internacional

França terá ‘greve’ contra a lei do primeiro emprego

Folhapress
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Paris - Sindicatos de trabalhadores e de estudantes franceses marcaram para o próximo dia 28 uma “jornada nacional de ação” contra a controvertida lei do primeiro emprego. O ultimato que lançaram para que a lei fosse revogada e recolocada em discussão não obteve resposta do primeiro-ministro, Dominique de Villepin. Na terminologia francesa “jornada de ação” mistura passeatas e paralisações esparsas, mas sem a dimensão de uma greve nacional, inicialmente evocada para colocar o movimento de protesto num novo patamar.

A idéia de greve geral era defendida pela Força Operária, reformista, e pela CGT, próxima do Partido Comunista Francês. Mas associações estudantis e a CFDT, próxima do Partido Socialista, não quiseram radicalizar para não comprometer a unidade do comando do movimento.

Observadores acreditam que os sindicatos, em declínio constante fora do setor público da economia, tomaram carona do movimento estudantil para dar prova de vitalidade. As “greves gerais” mobilizam normalmente o metrô, os transportes e as escolas, que são setores estatais.

A lei em discussão, ainda não promulgada, foi proposta pelo governo e votada há duas semanas pelo Parlamento. Ela facilita a contratação de recém-formados em faculdades e escolas técnicas. Mas, para estimular os empregadores à contratação, foram diminuídos os encargos trabalhistas, o que também reduziu os direitos sindicais. O item nevrálgico da nova lei é o poder de o empregador demitir seu jovem funcionário nos 24 primeiros meses, sem maiores justificativas.

Reunidos por 17 horas no domingo, em Dijon, lideranças estudantis de 66 universidades decidiram promover novas manifestações para hoje, no Interior da França, e uma manifestação bem maior, quinta-feira, na Capital. No sábado, cerca de 500 mil pessoas, segundo o Ministério do Interior, ou 1,5 milhão, segundo a organização, saíram às ruas.