29 de abril de 2026
Economia & Negócios

Emprego formal sobe 836% no 1º bimestre

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 5 min

No acumulado dos dois primeiros meses de 2006, foram criados 674 empregos com carteira assinada em Bauru. O número excede em 836% o total registrado no mesmo período do ano passado, que foi de 72 contratações formais. Os dados são do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho.

Os números informados pelo Caged referem-se ao saldo obtido entre o total de admissões e desligamentos de trabalhadores nos principais setores de atividade econômica. Em Bauru, tanto no desempenho de fevereiro deste ano quanto na somatória dos dois primeiros meses, o setor de serviços foi o que mais se destacou. Em âmbito nacional, a criação total de empregos formais bateu recorde no mês de fevereiro e também no acumulado do primeiro bimestre de 2006.

No mês passado, os dados da Caged mostram um saldo de 347 empregos no setor de serviços em Bauru. Em fevereiro do ano 2005, a diferença entre admitidos e demitidos resultou em 232 postos de trabalho. Já no acumulado do ano somente neste setor, o saldo é de 511 empregos formais, contra 371 nos dois primeiros meses do ano passado.

Em segundo lugar nas estatísticas do Caged referentes a Bauru vem o setor de comércio. Somando os meses de janeiro e fevereiro deste ano, o saldo é de 158 empregos com carteira assinada, contra 139 no mesmo período de 2005. Levando em consideração somente o mês de fevereiro, a diferença é maior. Foram 163 vagas formais contabilizadas no comércio neste ano, contra 60 no ano passado.

De acordo com o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Walace Sampaio, em janeiro de 2006 havia um total de 73.339 trabalhadores com carteira assinada em Bauru, distribuídos entre 16.374 empresas. O números referentes ao mês de fevereiro, também do Caged, ainda não foram divulgados.

Para ele, os números referentes a Bauru informados pelo Ministério do Trabalho estão dentro da normalidade e do previsto, já que os setores de comércio e serviços estão em expansão na cidade. Em relação ao comércio, o secretário analisa que os números positivos deste início de ano refletem muito do que ele chama de descentralização das atividades comerciais.

Descentralização

“A área do comércio central em Bauru já está limitada geograficamente. Em função disso, o comércio tem se tornado cada vez mais forte em outras regiões da cidade, como a zona sul por exemplo. Inclusive, um dos objetivos do projeto de revitalização do Centro é justamente ocupar aquela área que vai até a linha da ferrovia. Por isso, eu considero a instalação do Poupatempo (previsto para o segundo semestre) lá na rua Aparecida como um fator importante para a revitalização da área central”, observa Sampaio.

Na avaliação do secretário, a instalação do Poupatempo e a ocupação do prédio da antiga estação ferroviária pela prefeitura serão dois grandes indutores da ampliação do comércio central, já que atrairá o público e, conseqüentemente, o comércio. Enquanto isso não ocorre, outros pontos comerciais vêm se fortalecendo em diversos bairros da cidade.

Serviços

Em relação ao desempenho positivo do setor de serviços de acordo com os dados do Caged, Sampaio avalia que se trata de uma tendência. Segundo o secretário, além do crescimento natural deste segmento decorrente da demanda e das exigências do público consumidor, o setor de serviços vem incorporando grande parte das vagas fechadas em outros ramos de atividade, como comércio, indústria e financeiro.

“Há alguns anos, as indústrias cuidavam de todo o processo, desde a aquisição de matéria-prima até a colocação do seu produto final (no mercado), com frota própria. Hoje, o setor de logística está ficando responsável por grande parte das atividades que eram industriais. Outro exemplo são as empresas especializadas em limpeza e manutenção de unidades industriais, que também vêm crescendo. Cada vez que isso acontece são transferidas vagas de outros setores para o de prestação de serviços”, analisa.

O vice-presidente da Associação das Empresas do Calçadão (AEC), Francisco Alberto Franco de Bernardis, diz que o comércio de Bauru começou 2006 bem, mas que muita coisa precisa melhorar até o final do ano.

“O mês de janeiro foi muito bom para a maioria dos lojistas, melhor do que fevereiro. Como não houve, até o momento, grandes alterações no cenário econômico, estamos esperando um primeiro semestre parecido com o do ano passado, que foi melhor do que o segundo semestre. Isso é bom, mas não é suficiente.”

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Um ano especial

Para o economista e consultor de empresas Fernando Pinho, Bauru tem uma vantagem em relação a outros municípios, que é o fato de não ter um único setor de atividade econômica preponderante - como é o caso de Jaú com o setor de calçados e Ribeirão Preto com o sucroalcooleiro. Essa diversidade faz com que a economia da cidade não seja fortemente afetada quando um determinado segmento passa por um período de desempenhos negativos.

“Bauru tem vários setores fortes e isso serve como uma espécie de seguro contra intempéries (da economia) numa situação de crise. Mas o ano de 2006 também tem algumas peculiaridades em relação aos anteriores”, pondera.

Segundo o economista, uma série de fatores que têm contribuído para o bom desempenho dos setores de comércio e serviços, especialmente. Entre eles, o fato de 2006 ser um ano eleitoral e de Copa do Mundo. Na avaliação dele, em anos assim há uma euforia geral que leva as pessoas a acreditar mais na economia.

“Mas além disso, desde o ano passado o governo federal tem dedicado atenção especial à sua imagem política por meio de investimentos em programas sociais como o Bolsa-Família, o Banco Popular do Brasil, a diminuição da taxa de juros, o aumento do dinheiro em circulação na economia, entre outras coisas. Isso faz com que os empresários fiquem mais otimistas e contratem mais trabalhadores. Então, esses bons desempenhos registrados nos níveis de emprego já estão antecipando que 2006 deve ser bem melhor do que 2005”, conclui Pinho.