A proposta de reajuste salarial de 4,79% que a Prefeitura de Bauru vai oferecer aos servidores municipais não fará diferença no bolso do funcionalismo municipal, mesmo levando em conta a continuidade do abono de R$ 100,00, sendo R$ 50,00 incorporados ao salário e a outra metade prevista para ser paga como benefício.
A alteração na alíquota da contribuição para a previdência de 8% para 11%, exigida por regra federal, é um dos fatores que manterá o salário dos servidores defasado. Aliada à inflação do período, as mudanças geram efeito ainda mais devastador sobre o ganho mensal do funcionalismo.
Na opinião do economista Fernando Pinho o reajuste proposto não muda em quase nada a situação do servidor. “Os números praticamente se equivalem porque há um aumento no salário, mas aumenta também a contribuição”, disse. Se pegarmos um salário hipotético de R$ 1.000,00, somarmos o abono de R$ 100,00 e descontarmos a contribuição previdenciária atual (8%), esse servidor receberia R$ 1.012,00/mês.
Com a proposta de reajuste da prefeitura, o mesmo servidor passaria a ganhar R$ 1.147,00, já contando com o abono de R$ 100,00. Descontando os 11% da previdência, o salário ficaria em R$ 1.020,83. Ou seja, na prática, este servidor teria um reajuste de R$ 8,00.
Para o economista Fernando Pinho, não haverá nenhuma vantagem para o funcionalismo municipal. “Não vai haver nenhum acréscimo, porque ele vai receber de um lado e vai pagar de outro. Então, vai ser um jogo de somar zero praticamente”, destacou.
Pinho ressalta que não está levando em consideração as perdas salariais dos servidores. Segundo ele, ao propor um índice de reajuste igual a inflação do período, a prefeitura não repõe as perdas, apenas faz uma equiparação da inflação medida.