09 de julho de 2026
Regional

Trabalhadores criticam alojamento

Davi Venturino
| Tempo de leitura: 3 min

Pederneiras – Funcionários da empreiteira MCE Sul, que prestam serviço terceirizado nas obras de construção da fábrica da Ajinomoto em Pederneiras (26 quilômetros de Bauru), paralisaram ontem os serviços e reivindicam, aumento salarial de 25% e melhorias nas condições dos alojamentos.

Cerca de 130 trabalhadores da empreiteira, que atuam na área de montagem nas obras de construção da futura fábrica da Ajinomoto, decidiram em assembléia realizada anteontem, reivindicar o reajuste de 25% no salário a ser aplicado no pagamento de março. Também pedem o pagamento de 7% de produtividade e 100% pelas horas extras trabalhadas no sábado.

Os trabalhadores, contratados pela empreiteira, estão morando em alojamentos distribuídos pela cidade. Um dos alojamentos, situado no distrito industrial, foi apelidado pelos trabalhadores de “Carandiru”, em alusão à extinta Casa de Detenção da Capital. O local abriga cerca de 42 trabalhadores distribuídos em dez quartos. Outro alojamento, instalado em uma casa na rua Santos Dummont, no Centro da cidade, possui oito quartos, dois banheiros internos e dois banheiros improvisados no quintal. Cerca de 51 pessoas dividem o local. Em um dos quartos existem 13 camas.

O terceiro alojamento é chamado pelos trabalhadores de “Rodoviário”, por estar localizado próximo ao terminal de ônibus da cidade. Segundo o encanador industrial Edilson Lapa Pinheiro, coordenador do grupo, neste local estão alojados cerca de 40 trabalhadores.

Segundo o soldador Ramilton Chaves Pereira, 25 anos, contratado pela empreiteira, existem funcionários que exercem a mesma função e recebem salários diferentes. Pinheiro diz que representantes da empreiteira não querem negociar nenhum dos itens da pauta proposta. “Enquanto não resolver esse problema, ninguém vai entrar para trabalhar na empreiteira. Vai ter uma mesa-redonda da empresa com o sindicato e algumas pessoas da Ajinomoto”, acredita Pinheiro.

O mecânico Raimundo Nonato de Souza, que há dois meses mora no alojamento “Carandiru”, critica a qualidade das refeições servidas. Segundo ele, o problema maior são as marmitex servidas dentro da obra. Já o soldador Maristone Freitas de Jesus, 29 anos, reclama da sujeira no local. “O que pega aqui é a sujeira, os insetos e ratos”, diz

Dedetização

José Carlos Faquinho, coordenador de recursos humanos da Ajinomoto, explica que a empresa tem a responsabilidade de fazer a vistoria nos alojamentos e nega que os locais estejam superlotados. “Nós fazemos vistorias constantes nos alojamentos e não percebemos isso. Rato pode ser até que tenha e será preciso fazer uma dedetização. Quanto à superlotação, nós estivemos lá na semana passada e não tinha toda esta lotação que estão falando. De qualquer forma, nós já passamos isso para a diretoria da empresa e pedimos que tomassem providências. Não admitimos nem superlotação, nem sujeira e nem lixo”, disse o coordenador.

De acordo com Faquinho, existe uma pessoa que tem a função de fazer a limpeza no alojamento. Ele ressalta que quando é encontrado algum problema nos alojamentos, a empresa aciona a empreiteira para que resolva. Faquinho lembrou também que a empresa não aceita trabalhadores que não tenham registro em carteira e que não estejam com a documentação em dia. Segundo ele, cerca de 1.400 funcionários de 20 empreiteiras estão trabalhando atualmente nas obras da fábrica.

Para Sebastião Panobianco, gerente administrativo da Ajinomoto, os trabalhadores estão tentando antecipar o dissídio da categoria, que deveria acontecer somente em maio. “O dissídio da categoria é agora em maio, então eles estão querendo antecipar uma negociação que é feita pelo sindicato”, criticou.

Pinheiro disse ter notificado o Ministério do Trabalho sobre todas as reivindicações levantadas na pauta. Os funcionários ameaçaram entrar em greve caso não haja entendimento entre as partes envolvidas.