09 de julho de 2026
Internacional

Argentina reestatiza serviço de água e esgoto

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Buenos Aires - Depois de três anos de embate com o consórcio privado que controlava a empresa Aguas Argentinas, o governo argentino rompeu unilateralmente o contrato com a concessionária e reestatizou ontem, por decreto, o serviços de água e esgoto na Grande Buenos Aires. Para substituir Aguas Argentinas, cujo controle acionário é da francesa Suez (39,9% das ações), foi criada uma nova estatal, com 90% de ações do governo. Os outros 10% seguirão com os funcionários, no chamado Programa de Propriedade Participada (PPP).

No anúncio da decisão, o ministro do Planejamento, Julio de Vido, fez um duro discurso. Alegou o reiterado “não cumprimento” do contrato de concessão e afirmou que o rompimento se deu “por culpa” da empresa, que não teria cumprido planos de investimento e de ampliação dos serviços. Citando relatórios da agência reguladora, acusou a Aguas Argentinas de pôr em risco a saúde dos usuários, pelo suposto elevado nível de nitrato na água. A empresa informou por nota que desde de setembro de 2005 seus controladores já haviam pedido o rompimento do contrato, “por culpa do concedente”, e rechaçou os argumentos do governo de Néstor Kirchner. Disse ter feito “trabalho exemplar” desde 1993, quando começou a operar.

A disputa começou em 2002, no auge da crise argentina. Desde então, a maior parte das tarifas públicas estão congeladas. A empresa e outros concessionários de serviços, como de telefonia, tentavam, sem sucesso, obter da Casa Rosada autorização para reajuste. No ano passado, tanto a controladora Suez como a estatal espanhola Aguas de Barcelona (25% das ações) já haviam anunciado que deixariam o consórcio e buscavam compradores. Mas as negociações eram barradas pela falta de perspectiva de alta nas tarifas.

A reestatização, como já havia acontecido com o serviço de correios, ficou mais próxima. Após a renegociação da dívida em moratória, o embate com as privatizadas é o principal problema da relação de Kirchner com o organismos multilaterais como o FMI e com os governos da França e da Espanha.

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Empresa atua no Brasil

São Paulo - O grupo Suez, de origem franco-belga, está presente no Brasil principalmente nas áreas de saneamento e de tratamento de resíduos sólidos, de limpeza urbana e de energia - nesse caso, por meio da Tractebel Energia. No ano passado, as áreas de saneamento e de limpeza urbana - principais negócios da Suez Ambiental, empresa do grupo - geraram receita de cerca de R$ 700 milhões e 11,5 mil empregos, segundo a Suez Ambiental.

Uma das principais aquisições do grupo no Brasil foi a Vega, de limpeza urbana, em 1997. A Suez Ambiental tem nove empresas de saneamento e limpeza urbana. A Suez controla a Águas do Amazonas e a Águas de Limeira, empresas de captação, distribuição e tratamento de água. Na França, a Suez está se fundindo com a Gaz de France, negócio contestado pela italiana Enel, que também queria adquirir a Gaz de France.