10 de julho de 2026
Bairros

Por ano, onze pessoas são vítimas de picada de cobra em Bauru

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

O caso do bebê de 1 mês que, apesar de uma cobra ter passado sobre ele não foi picado, conforme o Jornal da Cidade noticiou ontem, realmente foi sorte. Mas nem sempre os encontros com o réptil terminam da mesma forma. No ano passado, onze moradores de Bauru foram atendidos no Pronto-Socorro Municipal após terem sido picados por cobra, o que dá quase um acidente por mês.

Além dos 11 casos de Bauru, o Pronto-Socorro ainda atendeu outros sete moradores da região vítimas de acidentes da mesma natureza. Todos sobreviveram, segundo informou o Departamento de Saúde Coletiva (DSC) da Secretaria Municipal de Saúde. Neste ano já foram registrados sete casos, sendo que três são moradores de Bauru e quatro de municípios vizinhos.

A cobra que passou sobre a criança anteontem, enquanto ela dormia na cama dos pais numa casa na Vila Seabra, era uma falsa coral, segundo informou o Serviço de Atendimento Médico de Urgência (Samu), que atendeu a ocorrência. Mesmo não sendo a peçonhenta, ela merece atenção, avisa o professor Rui Seabra Ferreira Júnior, do Centro de Estudos de Venenos e Animais Peçonhentos da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Botucatu.

De acordo com ele, os acidentes com a falsa coral, que também tem listras nas cores vermelha, preta e branca, ocorrem mais com criadores e pesquisadores. Isso porque o dente inoculador de veneno da falsa coral fica no fundo da boca, que é pequena. “Além de ser mais difícil a inoculação, o veneno é menos tóxico em comparação com a verdadeira”, comenta.

Ele alerta que a diferença entre uma falsa e uma verdadeira coral é muito pequena. “Tem de ser especialista para diferenciar. É bom lembrar que existem falsas corais que têm veneno”, frisa. Já a verdadeira coral pode matar um adulto em algumas horas, frisa o professor. “Ela tem o dentinho inoculador de veneno, que é altamente tóxico, na frente da boca. Para as crianças, o risco de vida é muito alto”, alerta.

Os pais do bebê da Vila Seabra não quiseram comentar o incidente, mas o JC apurou que ele nem percebeu o que aconteceu. Estava no sono matinal quando o réptil subiu na cama de seus pais e ‘passeou’ sobre seu braço. A mãe do menino, segundo informou uma vizinha, entrou em choque quando viu a cobra sobre o filho. Porém, ela manteve a calma e esperou o animal sair para pegar a criança.

Assim que conseguiu pegar o filho, a mãe saiu para a rua gritando por socorro. Os vizinhos a atenderam, relata a comerciante Maria Cleusa dos Santos. “Ela apareceu gritando com a criança no colo. Era por volta das 10h. Meu marido foi até lá e com um pedaço de pau e matou a cobra”, lembra.

De acordo com a vizinha, a mãe se apavorou porque não sabia se a criança tinha sido picada. “Ela levou a criança para o Pronto-Socorro e foi constatado que o animal não havia picado o bebê”, comenta.