09 de julho de 2026
Nacional

PF vai ouvir depoimento de caseiro hoje

Por Da Redação | Com Folhapress
| Tempo de leitura: 4 min

Brasília - A Polícia Federal (PF) vai tomar o depoimento do caseiro Francenildo Costa, o Nildo, hoje. Segundo a PF, o depoimento de Francenildo foi negociado com o advogado do caseiro, Wlício Chaveiro do Nascimento. Além disso, Francenildo aceitou depor. O caseiro virou assunto nacional ao ter seu sigilo bancário quebrado logo após ter feito afirmações que contradizem o ministro Antônio Palocci (Fazenda) na CPI dos Bingos.

A PF quer ouvir ainda hoje uma segunda testemunha, provavelmente da Caixa Econômica Federal (CEF). Como ainda não há intimação, não se sabe se essa segunda testemunha confirmará presença, já que há apenas um convite da PF.

A Polícia Federal já recebeu as cópias dos extratos bancários do caseiro Francenildo Costa, que estavam com a revista “Época”. Ao todo, segundo a PF, são cinco extratos. Os documentos mostram que o caseiro recebeu R$ 25 mil em depósitos desde janeiro.

O delegado Rodrigo Carneiro Gomes solicitou anteontem a quebra do sigilo bancário do caseiro. A PF informou que a Justiça ainda não autorizou a quebra. Os delegados da PF também explicaram ontem o motivo de terem solicitado o cartão bancário de Francenildo, que estava sob proteção da instituição quando seu sigilo foi violado.

Segundo os delegados, a PF pede para os inscritos no programa de proteção à testemunha entregarem o cartão para evitar a utilização da conta, que pode ser rastreada e dessa forma facilitar a localização da testemunha. A Caixa Econômica Federal também recebeu da revista “Época” o extrato original da movimentação bancária do caseiro Francenildo Costa.

A instituição informou que o documento foi entregue para o presidente da comissão que apura a responsabilidade pela quebra do sigilo bancário de um correntista do banco. O nome do presidente dessa comissão está sendo mantido em sigilo pela Caixa. O presidente da Caixa, Jorge Mattoso, se reuniu ontem com os senadores Flavio Arns (PT-PR), Álvaro Dias (PSDB-PR) e Wellington Salgado (PMDB-MG).

Reportagem publicada pela “Folha de S.Paulo” ontem informa que um integrante da CPI dos Bingos recebeu a informação de que a ordem para violar o sigilo bancário do caseiro partiu do gabinete da Presidência da Caixa.

Os dados, extraídos do sistema do banco com a senha de um gerente, teriam sido encaminhados por fax a um assessor especial do ministro da Fazenda. Segundo Dias, Mattoso disse ontem aos senadores que sem o extrato original ficaria difícil identificar quem vazou o sigilo bancário do caseiro. A CPI dos Bingos aprovou ontem a convocação da vice-presidente de tecnologia da CEF, Clarice Copetti, para que ela esclareça o envolvimento do banco na quebra do sigilo da conta.

Senado

A Advocacia do Senado recorreu novamente ao STF (Supremo Tribunal Federal) para pedir a derrubada da liminar concedida pelo ministro Cezar Peluso, que suspendeu o depoimento de Nildo. A informação é do presidente da CPI dos Bingos, senador Efraim Morais (PFL-PB).

O mandado de segurança do Senado será apreciado pelo ministro Marco Aurélio Mello. Será a segunda tentativa de retomar o depoimento do caseiro. No começo da semana, presidente do STF, ministro Nelson Jobim, negou o primeiro pedido da CPI dos Bingos, que queria a reconsideração da liminar que impedia o depoimento do caseiro.

A liminar do STF foi solicitada pelo senador Tião Viana (PT-AC), que alegou que o depoimento do caseiro poderia expor detalhes da vida pessoal do ministro Antônio Palocci, o que ultrapassava o limite das investigações da comissão. Apesar do novo recurso ao STF, Efraim disse que não vê necessidade de voltar a ouvir o caseiro. Segundo ele, o que o caseiro disse já é suficiente para a comissão.

Wagner

O ministro Jaques Wagner (Relações Institucionais) negou ontem que a orientação de quebrar o sigilo bancário do caseiro tenha partido do Planalto. Segundo ele, o governo está empenhando em encontrar os culpados, que serão punidos. “Posso garantir que do Palácio do Planalto não saiu a orientação para se quebrar o regime legal do estado democrático”, disse ele.

Segundo ele, o Planalto não admite esse tipo de violação e o culpado será punido. “Não é admissível no estado de democracia que isso ocorra. O responsável terá que se punido.” Ele reiterou que não apontará culpados antes da conclusão das investigações da Polícia Federal. “A PF está investigando e a gente não pode fazer ilação nem para um lado nem para outro.

A investigação vai esclarecer quem foi o responsável pelo vazamento e quem foi responsável pela quebra do sigilo.” Wagner disse ainda que o Planalto mantém a disposição de manter o ministro Antônio Palocci até o final de dezembro. “O presidente Lula sustenta a posição do ministro Palocci. A menos que as investigações revelem alguma coisa que lhe seja impeditiva, o ministro continua no cargo”, afirmou Wagner.