08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Como pode a árvore má dar bons frutos


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Temos assistido a uma série de fatos no cenário nacional que envolve o PT. Partido que, na última eleição, conseguiu canalizar a esperança da maioria da população através de uma campanha que propunha mudar a forma de fazer política no Brasil fazendo com que se exercitasse plenamente a cidadania, a melhorar a distribuição de renda e, principalmente, gerar 10 milhões de empregos. O que concluímos foi que até mesmo quando a campanha estava em curso, já estava contaminada, seja através da orientação maquiavélica do marqueteiro Duda Mendonça do Lulinha paz e amor e da esperança vencendo o medo, com os recursos do famigerado Marcos Valério, cooordenados pelo trio Delúbio (vale tudo), Silvinho (Land Over) e chefiados pelo vice-rei José Dirceu.

Quase nada do que se prometeu foi cumprido. A forma de fazer política já vinha sendo baseada nos recursos do caixa dois do ABC (vide-Celso Daniel), em Campinas e ainda em Ribeirão Preto, do ministro Palocci. Realmente, não era igual aos demais partidos. Ou seja, não se fazia caixa de campanha com a colaboração, às vezes forçada, de empreiteiros e fornecedores, mas se utilizava de serviços como lixo, segurança e limpeza de uma forma tão intensa de fazer inveja ao incompetente PC Farias. E, como já foi dito por um político, comparado com o esquema PT, o Farias era trombadinha. Usando o princípio bíblico, que sem dúvida é verdadeiro, como pode a árvore má dar bons frutos, como pode uma campanha financiada com dinheiro sujo, cheia de mentiras e promessas do tipo “me engana que eu gosto”, dar em um bom presidente, que respeitasse a cidadania e buscasse o bem do País ao invés do bem de um partido ou ideologia?

Quanto à democracia plena e cidadã, primeiro tentaram amordaçar o Ministério Público, depois a imprensa e, finalmente, descambaram para politizar o Supremo Tribunal, coisa jamais vista nem mesmo nos tempos da ditadura. Agora, até mesmo o sigilo bancário de um pobre caseiro é quebrado sem necessidade de nenhum recurso judicial. Mas, provavelmente, por um telefonema do Ministério da Fazenda ou até mesmo de um petista de médio escalão. Com isso, todas as esperanças foram embora e o medo voltou. Desta vez, não como uma possibilidade dos profetas da catástrofe, mas como uma certeza respaldada pelos fatos. A última promessa da distribuição de renda só se concretizou entre os banqueiros, que nunca ganharam tanto. Sem falar nos bancos rurais e BMGs da vida. Para consolo e para garantir a fidelidade do eleitorado, uma série de programas a la Getulio Vargas, tipo pai dos pobres, o emprego foi substituído por puro assistencialismo que, ao invés de ensinar a pescar, dá o peixe, garantido a continuidade da fome até a proxima eleição.

Não faço, nunca fiz e não pretendo fazer política partidária e me considero isento como qualquer brasileiro para pedir à classe política, inclusive para aqueles petistas que tinham o ideal de mudar o País, que tenham o mínimo de decência e de respeito ao cidadão, fazendo desde a campanha um procedimento diferente. Quem sabe colocando na Internet, em tempo real, suas despesas de campanha e seus financiadores para que o cidadão comum saiba antes de votar, com os tribunais checando todas as informações e punindo com a perda de mandato que não fizer isso.

Márcio M. Carvalho