Uma adolescente de 13 anos, moradora do Núcleo Gasparini, foi rendida na porta de sua própria casa na noite de anteontem, por volta das 21h45, por um homem não identificado. Ela foi arrastada até um matagal existente em frente à residência e levada pelo rapaz para atrás de uma casa. A família, suspeitando da demora da menina, passou a procurá-la com a ajuda dos vizinhos. Ao escutar as pessoas afirmando que iriam vasculhar a área onde eles estavam, o rapaz largou a garota e fugiu correndo.
Assustada, a adolescente contou ao Jornal da Cidade, que tentava se soltar do homem, se debatendo. “Ele só mandava que eu calasse a boca”, lembra a adolescente. “Quando escutou alguém dizendo que ia até o mato, atrás da casa, ele me soltou e correu. Eu também fugi. Estava com muito medo”, conta. A mãe da menina diz que a família e os amigos ainda saíram atrás do rapaz, mas não encontraram nada. “Aqui tem muito mato para se esconder”, critica.
Revoltado, o irmão mais velho da adolescente conta que chamou a polícia, mas que nada foi encontrado. Na manhã de ontem levou a irmã até a Delegacia de Defesa da Mulher, mas não registrou a ocorrência devido à demora no atendimento. “Ficamos mais de duas horas lá e ninguém nos disse a previsão de atendimento”, conta. A delegada Marilda Pinheiro foi quem atendeu o rapaz. “Eles chegaram e três pessoas já aguardavam. O novo sistema de registro de ocorrência às vezes demora, pedimos paciência, mas ele estava muito alterado”, conta a delegada.
“Fui conversar pessoalmente com ele e pedi calma. Mas não teve conversa. O nosso atendimento é especializado e a irmã dele teria esse mesmo atendimento. É muito importante que eles façam o registro da ocorrência”, explica Pinheiro.
O rapaz também criticou a demora da Polícia Militar em atender a ocorrência. Informações do Centro de Operações da PM (Copom) apontam que o serviço recebeu a chamada às 22h46. E três viaturas foram despachadas para o local às 22h50. Como nada foi verificado e a menina não sofrera ferimentos, os policiais orientaram a família que a encaminhasse à DDM. A ocorrência foi encerrada às 23h23.
Matagal
Os vizinhos contam que o mato, para onde o possível agressor correu, é o que mais preocupa no bairro. “Já procuramos a Prefeitura e ninguém sabe de quem são os terrenos”, lamenta Laíde Meiado, que há três anos mora na rua Marino Colozhezi, no Gasparini. A falta de iluminação também é criticada. “A rua é muito escura. Tenho medo de ir trabalhar e quando chegar em casa não ter mais nada. Até o lixeiro falou que essa é a rua mais escura do bairro”, conta Maria José Silva Rocha, que mora no local há 17 anos.
A falta de equipamentos públicos também é alvo das reclamações dos moradores. O casal Antônio e Cidinha Marin foram pessoalmente à Administração Regional que atende o bairro pedir alguma providência sobre o terreno em frente às casas. Eles pediram que o local fosse transformado em um parque ou campo de futebol. Wellington, filho do casal. “Aqui não tem nada para o lazer. Esse mato poderia virar um campinho”, sugere Cidinha.
A prefeitura informa que fiscais da Secretaria Municipal de Planejamento (Seplan), foram até o local, na tarde de ontem, para realizar vistorias. Eles iriam identificar os proprietários dos terrenos para que limpem as áreas.