Para cada aplicação, existe um tipo de motor que melhor se adapta. As fábricas desenvolvem motores específicos para cada modelo, e mesmo um determinado motor, quando aplicado em veículos diferentes, terá características próprias para aquela versão, como potência, torque e consumo.
Motores podem ter diversas configurações de cilindros. Os mais usuais são com quatro cilindros boxer (contrapostos como nos antigos Volkswagen a ar), quatro a seis cilindros em linha, V6 ou V8, cada um com suas vantagens. Motores especiais - em carros mais especiais ainda - podem ter outras configurações, como V10, V12, W12, W16, mas aí já é outro mundo. Podem ser longitudinais ou transversais quanto à sua instalação, sendo estes os melhores para tração dianteira por ocuparem menos espaço.
Algumas características típicas de motores são interessantes para nós mortais na hora da escolha. Como, por exemplo, a relação diâmetro e curso dos pistões. Quando esta relação é 1:1, ou seja, o diâmetro do pistão é igual ao curso, chama-se motor quadrado. Se esta relação é menor do que 1, ou seja o diâmetro é menor do que o curso, é um motor subquadrado. E o inverso, com relação maior do que 1, chama-se superquadrado.
E o que isso quer dizer? Em termos práticos, um motor subquadrado oferece melhores características de torque (a medida de força do motor, obtida em dinamômetro) obtidas com rotações mais baixas. É um motor ideal para cidade ou transporte de cargas. É o chamado motor de jipe. Já um motor superquadrado tem características mais esportivas, como subida de giro mais rápida (aumento de rotação) e potência e torque obtidos em alta rotação, características ideais para estradas e competições. Logicamente, um motor quadrado é intermediário aos dois anteriores, sendo recomendado para uso cotidiano em cidade e estrada.
Outra característica construtiva que nos afeta é o número de válvulas do motor. Sabemos que precisamos de, no mínimo, duas válvulas por cilindro, a de admissão e a de escape. Em um motor quatro cilindros, teremos então oito válvulas. Este é um motor básico, com boas características de torque em baixas rotações. Se usarmos uma configuração de dois eixos comando, teremos quatro válvulas por cilindro ou 16 válvulas em um motor quatro cilindros. Esta configuração gera mais potência em alta rotação, sendo ideal para estradas mas menos adequada para cidade, onde o motor gira a rotações menores e tem menos torque.
Um fator importante na escolha é a cilindrada do motor. Motores pequenos, de 1000 a 1400 cm³, são indicados para uso em cidades e não são necessariamente mais econômicos do que motores maiores. Por terem menos potência que um motor maior, acabam precisando usar uma marcha mais reduzida e rotação maior para um mesmo esforço, fazendo com que um motor maior realize com uma casquinha de acelerador em quarta marcha o que um pequeno precisa de uma segunda marcha para fazer. Motores maiores são indicados para viagens com carga e ar-condicionado ligado. Custam mais, mas oferecem mais também.
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CORREIO TÉCNICO
No dinamômetro se mede a força ou potência do motor?
No dinamômetro se mede o momento torsor, ou o torque do motor. É o esforço que o motor faz em cada rotação sobre um braço de 1 metro de comprimento apoiado em uma balança. A medida que se obtém é dada em kg.m (ou kgm) na norma brasileira. A cada rotação, mede-se o o torque correspondente e marca-se um ponto no gráfico de rotação x torque. Estes pontos unidos darão a chamada “curva de torque”. Daí se tira que o torque máximo de determinado motor é uma tal rotação (por exemplo, 19,7 kgm a 3200 rpm). Já a potência é obtida por uma fórmula multiplicando-se o torque pela rotação correspondente a cada ponto da curva, achando-se então a chamada “curva de potência” medida em KW (quilowatts). Existem dinamômetros que calculam a potência automaticamente traçam sua curva, mas o método usado é o mesmo.
Carlos Soares, Bauru (SP)
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* Marcos Serra Negra Camerini é engenheiro mecânico formado pela Escola Politécnica da USP, pós-graduado em Administração Industrial e Marketing e Engenharia Aeronáutica, com passagens como executivo na General Motors (GM) e Opel. Também é consultor de empresas e assina uma coluna na revista Quatro Rodas Nitro. Seu site é www.marcoscamerini.com.br.