09 de julho de 2026
Internacional

Negociações sobre lei francesa fracassam

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Paris - Dirigentes das cinco maiores confederações sindicais francesas saíram de mãos vazias do encontro de 75 minutos que mantiveram ontem com o primeiro-ministro Dominique de Villepin. Eles exigiam que o governo engavetasse a lei do primeiro emprego, pivô de uma crise de três semanas que deu margem a ampla mobilização estudantil, com passeatas em toda a França.

Villepin disse que não deixaria de promulgar a nova lei, que reduz os encargos para a contratação de recém-formados ou jovens de até 26 anos, em troca da redução de direitos trabalhistas. O presidente Jacques Chirac, que se encontrava pela manhã em Bruxelas, disse que o governo não recuaria. Assessores seus afirmaram que arquivar a legislação significaria curvar-se a um ultimato. “Só conseguimos obter do primeiro-ministro o compromisso de ele receber amanhã os representantes das associações de universitários e secundaristas”, disse o líder da pró-comunista CGT, Bernard Thibault.

São cinco as associações de estudantes com as quais o premiê se dispõe a dialogar. Mas as lideranças do movimento estão pulverizadas. Na cidade de Dijon, no domingo passado, eram 450 os líderes de unidades de ensino que se reuniram para unificar seus planos. Boa parte deles não pertence a nenhuma associação. Beneficiam-se da Internet para mobilizar seus colegas. “Estamos em pleno diálogo de surdos”, afirmou François Chérèque, principal dirigente da pró-socialista CFDT, ao deixar o encontro com o primeiro-ministro.

Em lugar de abandonar definitivamente a nova lei, como exigiam os sindicalistas, Villepin se propôs a “ampliar o diálogo” para melhorar seus dispositivos controversos. O principal deles é a possibilidade de o empregador demitir sem justificativa o jovem empregado nos primeiros 24 meses.

O impasse tende a favorecer a “jornada nacional de ação” que sindicalistas e estudantes convocaram para terça-feira. Não é uma greve geral. Por enquanto, só as empresas estatais do metrô, ônibus urbanos e transporte ferroviário anunciaram paralisações. A RATP, de Paris, disse que o tráfego na terça será reduzido pela metade. Em 71 outras cidades as empresas de transportes urbano anunciaram que deverão aderir de algum modo ao movimento.

Analistas também acreditam que, com o impasse, passem a fugir cada vez mais do controle a ação dos “casseurs” (vândalos) que atuam paralelamente às passeatas. Eles anteontem voltaram a atear fogo a automóveis, a agredir fotógrafos e a entrar em conflito com a polícia. O ministro do Interior, Nicolas Sarkozy, disse ontem que os incidentes de quinta-feira, com 220 mil manifestantes nas ruas, provocaram 630 prisões, com 90 policiais feridos. Desde as primeiras manifestações foram presas 1.420 pessoas e feridos 453 policiais.

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Saque

Paris - A sede da Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais, uma das instituições mais respeitadas da França, foi saqueada por um grupo de 72 vândalos, que destruiu os arquivos de pesquisas em andamento e furtou ou danificou seriamente 20 computadores. O grupo, de origem não identificada, apresentou-se como “anarquistas” que protestavam contra a lei do primeiro emprego.

As instalações da escola, no bulevar Raspail, em Paris, foram desocupadas ontem pela polícia, que interpelou para verificação de identidade 55 homens e 17 mulheres. Nenhum deles estava matriculado na instituição. Os vândalos ocuparam o prédio de quatro andares no início da semana. Para tanto, desalojaram outros estudantes da própria escola, que participavam com professores de discussões sobre a lei do primeiro emprego. “Foi terrível. As salas haviam sido todas destruídas”, disse um porta-voz do ensino superior de Paris. “O cheiro era de pestilência, com paredes cobertas por manchas de excremento.”

A instituição, sem subordinação à universidade, tem diretores de estudos que devem renovar anualmente seus cursos. Entre eles, na história recente, estão Pierre Bourdieu, Fernand Braudel, Jacques Derrida, Jacques Le Goff e Alain Touraine.

Na cidade de Mulhouse, sudoeste da França, explosão acidental num laboratório universitário de química matou ontem um professor. O incidente não tem relação com o protesto estudantil, disseram policiais.