08 de julho de 2026
Geral

Estudar sempre foi primordial

Erika Pelegrino
| Tempo de leitura: 2 min

Fazer dois cursos ao mesmo tempo (no Liceu e na RFFSA) não era nada demais para o garoto que desde cedo acreditava que, se estudasse com seriedade, disciplina e eficiência, conseguiria literalmente voar. O pai Virgílio hoje com 89 anos, fala mansa, tem como uma das mais vívidas lembranças da infância do filho Marcos Pontes, o afinco do menino nos estudos.

“Ele estudava muito, noite para ele era dia”, conta. A irmã confirma a fala do pai. “Ele sempre foi muito bom aluno, levava muito a sério a escola, nunca tirava nota baixa”, lembra. Segundo Rosa, estudar é primordial para ele até hoje. “Ele cobra isto dos filhos (Fábio e Carol). Incentiva todos que querem fazer algum curso”. A irmã atribui esta seriedade à mãe, Zuleika, falecida em 2002. “A mãe dizia sempre: ‘tem o primeiro lugar e os outros, você escolhe onde quer ficar’”.

O menino com certeza sabia onde queria ficar. Nada tirava seu foco dos estudos. Nem mesmo as festas familiares. “Se ele tinha de estudar, não participava. Nós levávamos o prato dele no quarto”, conta Rosa.

Os primeiros anos de escola do primeiro astronauta brasileiro foram na EEPG Lourenço Filho e na EEPG Francisco Antunes. Durante um ano, Marcos freqüentou as duas escolas ao mesmo tempo. Estava matriculado de manhã e de tarde. Esta foi a solução encontrada em função do horário de trabalho da mãe. O ginásio foi cursado no Sesi 358-Bauru, onde Marcos, além das aulas tradicionais e das práticas esportivas, ainda era presidente do Grêmio Estudantil e integrante da banda.

Virgílio sabe o que diz. O filho “não perdia tempo, não parava quieto”. Marcos sorvia a vida. A ex-professora dele de história no Sesi, advogada Maria Mandaliti, lembra que o menino se destacava em sala de aula por ser muito questionador. “Ele queria saber o motivo das coisas, estava sempre estudando, gostava de ler e ia com freqüência à biblioteca”, lembra.

Para a ex-professora de ciências, também no Sesi, Edna Sciuli Castro o que mais chamava a atenção em Marcos era seu lado humano. “Ele era brilhante sem dúvida, procurava sempre estar à frente”, recorda. “Mas na época o que mais me impressionava era sua meiguice, seu companheirismo e vontade de ajudar os outros”.

Para um aluno que passava boa parte do tempo envolvido com os estudos, nada mais natural do que compartilhar na escola o sonho de voar. “Após entrar na aeronáutica, foi nos visitar no Sesi e falava do seu entusiasmo em estar dirigindo aviões da FAB (Força Aérea Brasileira), relatando-nos que havia chegado em Bauru pilotando um avião”, conta Mandaliti.