30 de abril de 2026
Geral

Amigos de infância

Erika Pelegrino
| Tempo de leitura: 2 min

A primeira namorada, os passeios de bicicleta pela cidade e, como não podia deixar de ser, as brincadeiras na construção de aeroplanos. Estes são alguns dos fatos que marcaram uma amizade de 12 anos. Emerson mudou-se para a quadra 1 da rua Beiruth em 1968. Na quadra 2 morava Marcos Pontes. Os meninos tinham na época 8 e 6 anos, respectivamente.

“Nos conhecemos assim, mas passamos a conviver mesmo quando eu estava com 10 e ele com 8 anos”, conta Emerson Brancaglion, hoje bancário aposentado. “Tivemos uma ótima infância e nossa convivência era como de dois bons amigos: com brincadeiras e algumas brigas”.

As brigas não deixaram marcas. Emerson não tem nenhuma lembrança concreta delas. “Eram desavenças de garotos”. As brincadeiras, sim, ainda estão claras na lembrança. De manhã estudavam, à tarde passavam a maior parte do tempo montando aeroplanos. “Nós adorávamos avião”, conta. “Nos divertíamos fabricando nossos próprios brinquedos”, lembra.

Os aviões eram campeões de preferência. Emerson conta que pegavam a bicicleta e iam até uma loja de acessórios de aeroplanos no aeroporto, que hoje não existe mais. “Comprávamos a madeira, voltávamos para casa para montar e depois íamos de novo para o aeroporto, onde soltávamos os aeroplanos”, lembra.

Durante muito tempo esta foi a principal diversão de Emerson e Marcos. Aos poucos outros interesses foram ganhando lugar na vida dos meninos. O amigo do primeiro astronauta brasileiro lembra de sua timidez quando o assunto era garotas. “Ele era tão tímido que me chamou para ir com ele no primeiro encontro com uma namorada”.

A garota, se a memória não trair Emerson, tinha o apelido de Lu. “Ela foi o primeiro amor dele”. Os dois se conheceram na escola. Marcos marcou um encontro próximo à casa da garota. “Ele me pediu para ir junto. Quando chegamos perto da casa dela, ele ficou na esquina e eu fui chamá-la”, conta Emerson.

Enquanto Lu e Marcos namoravam, Emerson ficava encarregado de vigiar o portão da casa da menina e avisar se a mãe dela aparecesse. “Eu me distraí e a mãe pegou os dois. Chamou a menina e deu uma bronca neles. O Marcos ficou apavorado, não sabia o que fazer”.

Aos 18 anos, Emerson serviu a Força Aérea Brasileira em Pirassununga. Durante o ano que esteve servindo, o amigo não saiu de seu “pé”. “Todo final de semana que eu ia para casa, o Marcos me pedia para vestir a farda da Força Aérea para ele ver como era”, lembra. “Acho que foi aí que a vontade de servir a Força Aérea ficou mais forte. Porque até então ele me falava de ter uma grande empresa de eletrônica”.

Os amigos se separaram quando Marcos prestou o exame da Força Aérea no Rio de Janeiro e passou. “Não foi surpresa, porque em tudo o Marcos era o primeiro ou segundo colocado”, lembra Emerson. A partir daí os destinos de Marcos e Emerson estavam irremediavelmente separados. O último contato dos dois aconteceu em 1988.