Para embarcar os seus experimentos na espaçonave russa Soyuz, as equipes brasileiras tiveram que aprender a trabalhar em condições bastante restritas e em tempo recorde, assim como o astronauta brasileiro, Marcos César Pontes. “Precisávamos fazer uma proteção no experimento e não pudemos simplesmente usar um saco plástico, foi necessário pesquisar um material resistente ao calor, à prova de furos e acabamos optando por um saco de náilon”, disse Adriana Célia Lucarini, coordenadora do experimento da Fundação Educacional Inaciana (FEI), de São Bernardo do Campo.
O experimento irá estudar o efeito da gravidade na cinética (velocidade das reações químicas) das enzimas, que são as proteínas produzidas por seres vivos. Para Adriana, a principal dificuldade na preparação do experimento foi aprender sobre os requisitos necessários para enviá-lo em vôo tripulado.
Os riscos de vazamento de material orgânico ou gás tem que ser eliminados para não comprometer a saúde e a segurança dos ocupantes da espaçonave. O mesmo ocorre na EEI, que somente a cada três meses tem o oxigênio renovado, com a chegada de um novo suprimento. “Tivemos que obter certificado de segurança do produto, análise de risco e de toxicidade para viabilizarmos o experimento”, disse Adriana. “Só a EEI oferece a oportunidade de se estudar enzimas com velocidade de reação mais lenta, para isso é necessário um tempo maior de exposição à microgravidade. Levaremos também uma enzima de reação mais rápida”, disse a coordenadora do experimento da FEI.
Mesmo com todas as restrições, além da FEI, os coordenadores dos experimentos das demais instituições também conseguiram em tempo recorde se adequar a elas. “Em geral, a preparação demora um ano, mas as equipes brasileiras tiveram apenas três meses e foram bem-sucedidas”, disse o responsável pela parte técnica do vôo e representante da empresa russa Energia, Alexander Melnikov.
Pontes poderá levar ao espaço 15 quilos de carga e bagagem, dos quais apenas 5 quilos poderão retornar à Terra. Isso porque parte dos módulos da Soyuz se desfaz na atmosfera durante a reentrada. As orientações sobre como manipular o experimento no espaço foram dadas pelos responsáveis por cada um dos experimentos a um técnico da empresa Energia, contratada pela Roscosmos. “É ele quem repassa as informações do manual técnico ao Pontes”, disse Adriana. Na Cidade das Estrelas, Pontes passou por um treinamento de cinco meses que o qualificou para fazer parte da tripulação da espaçonave russa. Ele estava em treinamento avançado no Johnson Space Center, da Nasa (agência espacial dos EUA) aguardando uma oportunidade de ir ao espaço a bordo de um dos ônibus espaciais quando os lançamentos foram suspensos.
*Jprnal ValeParaibano