09 de julho de 2026
Geral

Bauru tem mais de dois mil presos em atividade

Erika Pelegrino
| Tempo de leitura: 2 min

Só em Bauru, nas penitenciárias Dr. Eduardo de Oliveira Vianna (P2), Dr. Alberto Brochieri (P1) e no Instituto Penal Agrícola (IPA), a população carcerária até meados de março era de 3.293. Destes, 2.554 desenvolviam algum tipo de trabalho dentro e fora do presídio. Os dados são da Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (SAP) e da P2.

Na P2, de acordo com o diretor-técnico da divisão do Centro de Trabalho e Educação, Silvio Requena, 10 empresas estão instaladas dentro da unidade prisional. De acordo com ele, em nenhum caso a linha de produção está totalmente dentro do presídio. “Tem empresa que emprega 15 presos, outra quatro, outra cinco. Apenas parte do processo é feito aqui, não tem como vir a matéria-prima e sair o produto final”, garante. “A intenção não é gerar competição com o trabalhador regular”.

Segundo Requena, os salários dos presos, outra questão pontuada em denúncias que dão conta de exploração, variam entre o mínimo de R$ 150,00 e o máximo de R$ 300,00. Podendo ser inferior ao mínimo e em alguns casos superior ao máximo. O diretor explica que o valor a ser pago depende de variáveis como a categoria laboral que o preso se encaixa (aprendiz, meio oficial, oficial) e o tipo de atividade.

No entanto, ele ressalta a importância do trabalho do preso tanto para fortalecimento do vínculo familiar (uma vez que este passar a contribuir financeiramente com sua famíla) e remissão da pena, quanto para a disciplina. “Há uma influência muito grande do trabalho no comportamento. É só imaginarmos uma cela com sete presos o dia inteiro sem nada para fazer, ou trabalhando das 8 às 16 horas”, afirma. “Fazemos um trabalho de formiguinha bastante árduo para trazer as empresas para os presídios”. Em 15 anos de existência, há 14 anos os presos da P2 trabalham em empresas ou na própria unidade.