09 de julho de 2026
Geral

Mazelas fazem jovens temer o futuro

Erika Pelegrino
| Tempo de leitura: 2 min

Os piores índices de desemprego, evasão escolar, falta de formação profissional, mortes por homicídio, envolvimento com drogas e criminalidade, de acordo com dados da secretaria geral da Presidência da República, estão concentrados entre os jovens. No Brasil eles somam 48 milhões com idades entre 15 e 29 anos, sendo que 34 milhões têm entre 15 e 24 anos.

Os problemas que pairam sobre a juventude brasileira são graves e de difícil solução. Em Bauru, a realidade não é diferente. De acordo com dados do Data/ITE, são 60.959 jovens com idades entre 15 e 24 anos. Em situação de vulnerabilidade são 7.820, de acordo com a Secretaria do Bem-Estar Social.

Pesquisas e relatórios realizados por organismos nacionais e internacionais dão a dimensão dos desafios que precisam ser enfrentados. O Relatório Mundial da Juventude/2005, elaborado pela Organização das Nações Unidas (ONU), aponta para 200 milhões de jovens vivendo na pobreza, 130 milhões de jovens analfabetos e 88 milhões de jovens desempregados.

Os números apresentados evidenciam a necessidade de ações concretas e urgentes para reverter a situação da juventude. O Brasil só passou a contar com uma política nacional de juventude no ano passado. Os programas em execução ainda não dão conta de atender a maioria desta população.

A parcela da sociedade na qual deposita-se toda a esperança de um País melhor no futuro ainda está à mercê das mazelas sociais e econômicas. A situação faz com que os jovens vivam um misto de otimismo e medo com relação ao futuro. Ao mesmo tempo em que acreditam numa vida melhor na fase adulta, temem o futuro.

Os jovens em situação de pobreza têm medo de não conseguir sair dela, os de classe social mais elevada sabem que o desemprego também atinge aqueles que conseguem concluir o ensino superior. Aos 16 anos, estudante de rede particular de ensino, Ana Paula Luz sabe que qualquer jovem vai enfrentar dificuldades para atingir suas metas.

“Uns mais, outros menos. Claro que para aqueles que desde a infância não tiveram oportunidades de educação, alimentação e tudo mais, é bem mais difícil conseguir um bom trabalho”, afirma a estudante. “Mas hoje ninguém se sente seguro com relação ao futuro”.

Jovens com preocupações típicas de adultos. Pesquisa do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase), realizada com oito mil jovens brasileiros entre 2004 e 2005, revela este novo perfil da juventude. Entre suas preocupações estão: desemprego, primeiro emprego; educação, qualidade do ensino, ampliação do ensino médio; violência, segurança e criminalidade; política, corrupção; miséria, fome e má distribuição de renda.