08 de julho de 2026
Internacional

Belarus terá movimento de libertação

Folhapress
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Minsk - O líder oposicionista bielo-russo Alexander Milinkevich anunciou a criação de um movimento de libertação de Belarus. A declaração foi dada diante de uma multidão que protestava contra a reeleição do presidente Alexander Lukashenko, no contestado pleito de domingo passado. “Eu declaro criado o Movimento Popular para a Libertação de Belarus”, disse a um grupo de alguns milhares de pessoas reunido no parque Yanka Kupala, na Capital, Minsk.

Pouco depois, centenas de manifestantes saíram em marcha para um centro de detenção com planos de libertar ativistas presos e foram reprimidos com violência pela polícia, que fez várias prisões, incluindo a de Alexander Kozulin, um dos líderes oposicionistas.

A agência de notícias russa “Itar-Tass” chegou a anunciar também a prisão de Milinkevich, mas ela foi desmentida por sua assessoria. Milinkevich, que disputou a eleição vencida por Lukashenko, afirma que o pleito foi fraudado. Observadores internacionais constataram problemas graves e afirmaram que a eleição não pode ser considerada livre e democrática.

A União Européia (UE) e os EUA declararam que imporão sanções contra Belarus. Lukashenko obteve 83% dos votos. No parque, Milinkevich afirmou: “Nós somos os vencedores, porque mais e mais pessoas estão perdendo o medo”. “Essa foi apenas a primeira batalha contra o regime. Mas temos de ser realistas. Não estamos reunindo 200 mil ou 500 mil pessoas. Se estivéssemos, o regime já teria apanhado seus Boeings e fugido para alguma outra ditadura”, acrescentou.

A manifestação oposicionista foi desviada para o parque Yanka Kupala depois que a polícia impediu os participantes de chegar à Praça Outubro, no centro de Minsk, como planejavam. Manifestantes e policiais chegaram a confrontar-se então, mas ainda sem grande violência. Gritando palavras de ordem como “vergonha” e “longa vida a Belarus”, os oposicionistas tentaram, sem sucesso, romper o cordão de isolamento montado pela polícia.

Na madrugada de ontem, a polícia tomou a Praça Outubro, onde manifestantes acampavam desde segunda-feira numa espécie de vigília de protesto. Vários oposicionistas foram presos e mandados para um centro de detenção na Capital.

Os acontecimentos em Belarus colocam a Rússia, que apóia Lukashenko, em posição contrária à dos EUA e da Europa ocidental. Os EUA e a UE deram declarações separadas condenando a ação da polícia ontem. Sobre as sanções, falam em proibir as viagens de funcionários do governo bielo-russo a seus países. “Os EUA condenam as ações dos serviços de segurança bielo-russos na madrugada de 24 de março, e pedimos a todos os membros da comunidade internacional para se juntarem a nós na condenação dos abusos”, disse o presidente George W. Bush.

Já o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, acusou a Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), cujos observadores condenaram o processo eleitoral, de desempenhar um “papel inflamatório” em Belarus. Lavrov também defendeu a ação da polícia, que descreveu como “contida”.

A dura legislação bielo-russa contra reuniões não-autorizadas e a presença contínua das forças de segurança vinham mantendo a atividade oposicionista em níveis mínimos nos últimos meses. Lukashenko, agora reeleito para seu terceiro mandato, foi apelidado de “último ditador da Europa”.