Azul, sinônimo da razão, consciência, tranqüilidade, medo e introspecção. Vermelho é carregado de emoção, impulso, instinto, vitalidade e fúria. Não é novidade dizer que as cores influenciam na vida do ser humano.
O fundamental, porém, é saber como vivenciar as vibrações de cada uma delas em nosso cotidiano, explica Luciane Romagnoli, musicoterapeuta e dançaterapeuta, especializada em antroposofia, método de conhecimento da natureza do ser humano e do universo.
Na visão do filósofo e pedagogo alemão Rudolf Steiner - que introduziu os conceitos da antroposofia no Brasil - explica Romagnoli, o corpo humano é dividido em três partes: sensorial, correspondente à cabeça e com tendência à tonalidade azul; metabólico motor, simbolizado pelo vermelho e que abrange braços, pernas e órgãos da digestão; e rítmica, região do tórax, influenciada pelo verde e róseo, tonalidades que representam o equilíbrio.
“A cor é a incidência da luz solar ou outro tipo de luz e o meio. O tom equilibrante entre o azul e o vermelho é o verde e o róseo, que correspondem ao chacra cardíaco - justamente onde está o coração”, diz Romagnoli. “Se conseguirmos trabalhar com esses dois pólos, o azul e o vermelho, induzimos ao estado de saúde, seja ele mental ou físico”, ressalta.
Segundo ela, essas cores também podem sinalizar algumas doenças. “Para Steiner, a parte sensorial, cuja tendência é azul, significa enrijecimento, palidez, má circulação, pressão baixa, desmaios, distúrbios renais, esclerose e doenças ligadas ao cérebro.”
Já o vermelho (parte metabólico motor), detalha a musicoterapeuta, representa o contrário: pressão alta, rubor, aumento dos glóbulos vermelhos, febre, sangramentos e inflamações.
No cotidiano
De forma prática, explica Romagnoli, a idéia é “brincar” com o azul e o vermelho, bem como suas variações no dia-a-dia - seja nas roupas, no ambiente ou na alimentação. Índigo, marinho, celeste, azul claro, violeta, lilás, entre outros tons frios, entram na classificação azul. Já as tonalidades quentes, como amarelo, alaranjados e pink, na cartela do vermelho.
“Se o indivíduo perceber que está impulsivo, pode utilizar mais os tons em vermelho. A pessoa que tem muita dor de cabeça ou enxaqueca, que são inflamações que sobem até a cabeça, tem excesso de vermelho em sua vida e deve buscar mais os tons de azul, deixando o ambiente e usando roupas nessa tonalidade para adquirir consciência e tranqüilidade”, aponta Romagnoli.
“Quem é estressado, só vive em escritório e não faz atividade física deve buscar mais o vermelho para alcançar o equilíbrio”, sugere ela. Para a musicoterapeuta, muitas pessoas não imaginam o quanto as cores exercem influência no comportamento e na vida do homem.
Ela cita como exemplo a rede de lanchonetes Mc Donald’s. “Nesse fast-food, há o predomínio do vermelho e amarelo, que são tons ‘impulsivos’ e fazem parte do sistema metabólico motor, estimulando a pessoa ir até a lanchonete de forma impulsiva. Deu fome e a pessoa pensa: Mc Donald’s’. Depois de comer, os adultos querem ir embora logo porque o vermelho pede para que ele passe lá rapidamente”, prossegue Romagnoli.
As crianças, por sua vez, gostam de permanecer no Mc Donald’s, destaca Romagnoli. Segundo ela, isso se deve ao efeito contrário provocado pelo efeito da cor no cotidiano infantil. “Muitas pessoas dizem que o azul acalma e traz tranqüilidade. Mas na criança ocorre o inverso: ela vivencia a vibração da cor complementar. Se, por exemplo, os pais pintam o quarto dos filhos de azul para acalmá-los, eles vêem o azul, mas vivenciam o laranja, que é o tom complementar. Se utilizar os tons de vermelho no ambiente da criança, o efeito pode ser calmante e equilibrante, porque ela vivenciará o tom complementar, que é o verde”, explica a musicoterapeuta.
Livre arbítrio
Mas, apesar da vibração estimulada pela polaridade entre azul e vermelho, Romagnolli ressalta que cada pessoa deve ter liberdade para encontrar seu próprio equilíbrio.
“O ser humano tem o livre arbítrio. Não se pode dizer ou impor que ele use o verde para desintoxicar, por exemplo. É interessante saber dessa polaridade entre o azul e vermelho para que o ‘eu’ se identifique”, observa.
“A terapia das cores é a terapia da liberdade”, afirma ela. Nesse sentido, saber qual é a cor preferida de uma pessoa - em determinado momento - pode funcionar como remédio. Isso porque as cores podem sinalizar a tendência do temperamento do indivíduo naquela fase.
“O emocional acaba acarretando doenças físicas. Às vezes, a pessoa tem uma inflamação nos rins e, se analisarmos seu estado emocional, pode ser que ela seja ‘inflamada’ ou impulsiva”, destaca.
“Remediar é achar o meio, o equilíbrio. A cor pode funcionar como verdadeiro remédio porque faz com que cada pessoa encontre seu equilíbrio de forma livre”, explica.
Além de facilitar o equilíbrio físico e emocional por intermédio das roupas e ambientes, uma alimentação “colorida” também pode ajudar a melhorar a qualidade de vida, aponta Romagnoli.
Um prato ideal, sugere ela, deve conter muito verde, representado pelas verduras e hortaliças; azul, relacionado aos cereais e raízes (batata, cenoura, beterraba, mandioca, etc); vermelho e amarelo, às carnes, ovos, frutas, brócolis e couve-flor.