09 de julho de 2026
Geral

Morre Célio Gonçalves, aos 68 anos

Adriana Fricelli
| Tempo de leitura: 3 min

“Oremos!”. Era essa expressão que o jornalista e radialista Célio Gonçalves costumava utilizar para descontrair diante de situações difíceis e foi com o peso dessa palavra que Bauru acordou na manhã de ontem. Às 6h, a cidade perdia um de seus maiores defensores e a comunicação, um de seus profissionais mais atuantes. Vítima de um derrame que o levou à Unidade de Terapia Intensiva (UTI) na sexta-feira, Célio Gonçalves, 68 anos, morreu na manhã de ontem no Hospital de Base, por conta de complicações em seu quadro clínico.

Gonçalves sentiu-se mal na tarde de sexta-feira enquanto tratava de assuntos habituais em uma agência bancária. Com tontura e pressão alta, o jornalista foi socorrido e encaminhado ao Pronto-Socorro Municipal. No final da tarde, foi acometido por um derrame e encaminhado à UTI do Hospital de Base, onde faleceu na manhã de ontem. Gonçalves deixa sua esposa, Sônia, os filhos Regina e Célio Júnior e duas netas.

O corpo do jornalista foi velado na funerária municipal, ao lado do Cemitério da Saudade, onde ele foi sepultado, no jazigo da família, às 17h. Muitos amigos, familiares e personalidades do município foram ao local para prestigiar e se despedir de um dos homens que marcaram a história da comunicação na cidade.

Seu antigo editor, o jornalista e historiador Luciano Dias Pires, aponta o profissionalismo de Gonçalves. “Em meados dos anos 50, ele iniciou suas atividades como jornalista, na Bauru Rádio Clube, como locutor do ‘Grande Jornal Falado G8’, do qual eu era editor. Me impressionavam seu português corretíssimo e sua voz. Além do rádio, ele foi um profissional atuante na televisão e no jornalismo impresso. É uma grande perda sob todos os aspectos”, lamenta.

Como jornalista, Gonçalves trabalhou na prefeitura como assessor de gabinete dos prefeitos Alcides Franciscato, Oswaldo Sbeghen, Tuga Angerami e Tidei de Lima. Franciscato lamentou a morte de Célio: “Perdi um grande amigo e a cidade perdeu um grande bauruense”. Franciscato ressalta o caráter ilibado e o alto grau de profissionalismo do jornalista, “uma mente brilhante, a quem aprendi a respeitar e admirar desde os tempos em que ele me assessorou na prefeiturta (de 1969 a 1972)”, ressalta o empresário, que depois continou contando com os sábios conselhos de Gonçalves.

O também ex-prefeito Tidei de Lima se recorda com entusiasmo do tempo em que Gonçalves o assessorava. “A cidade de Bauru deve inúmeros avanços a ele. A área de comunicação da prefeitura ganhou profissionalismo com a sua atuação. Foi ele quem implantou o Diário Oficial do Município. Sempre esteve voltado para a melhoria da comunicação entre o poder público e os munícipes”.

Além de sua função como assessor de imprensa na prefeitura, Gonçalves desenvolvia com maestria o papel de relações públicas. “Durante a inauguração da rodoviária, foi ele quem recebeu o presidente João Figueiredo. Era ele quem organizava todo o cerimonial, inclusive me assessorando nos discursos”, recorda o ex-prefeito Oswaldo Sbeghen, que ainda aponta as ações de Gonçalves na organização de muitos carnavais de rua na cidade.

Já o prefeito Tuga Angerami disse ontem que “fica na memória de quem trabalhou com ele sua competência e sua extrema discrição, sempre disposto, como ele próprio dizia, a ajudar quem quisesse ajudar Bauru”. Tuga prossegue: “Aprendi bastante com ele. Muito ponderado, o Célio era o contrapeso quando estávamos para tomar decisões importantes. Não sei se ele terminou o livro que já tinha até nome (Vizinho do Poder), mas se ele não escreveu, cada um de nós (prefeito e ex-prefeitos) deveria escrever um capítulo em sua homenagem”. O jornalista tinha uma noção tão apurada de seu papel que passou por vários governantes, sempre merecendo a confiança e respeito de todos. A amigos, confidenciou que sentiu-se magoado apenas com sua demissão da prefeitura, em 2003.