08 de julho de 2026
Nacional

Saída de Palocci gera calma e raiva

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Brasília - O afastamento do ministro Antônio Palocci foi recebida com calma pelo meio empresarial, com raiva entre os políticos da oposição mas com aprovação com representantes da sociedade civil. Para o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Roberto Busato, a saída do ministro “pode ser até melhor para o governo e o País, pois contra Palocci pesam graves acusações - e por isso ele renunciou”. Segundo Busato, “pode ser escolhido alguém para substituí-lo, por certo isento de acusações tão graves”.

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) divulgou nota onde afirma que “será mantido o diálogo hoje existente (entre governo e entidade) e prevalecerão, sempre, os interesses do Brasil”. Sobre a indicação do presidente do BNDES, Guido Mantega, para o cargo, a federação informa que ele “desde a presidência do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), tem excelente relacionamento com a Fiesp”.

O governador do Rio Grande do Sul, Germano Rigotto, afirmou que “o ministro pediu demissão porque sentiu-se enfraquecido com as denúncias envolvendo seu nome e para que a sua permanência não significasse maior turbulência na economia”. Para Rigotto, “a decisão do ministro foi correta, porque a situação é insustentável”.

A oposição ao governo no Congresso não aceitou bem a notícia do pedido de afastamento do ministro da Fazenda, Antônio Palocci. Para a oposição, o ministro deveria ter pedido demissão, e não apenas o seu afastamento do cargo, o que lhe garante foro privilegiado. “Se é um afastamento, é mais uma prova de que o ministro está com receio das conseqüências jurídicas do seus atos enquanto prefeito de Ribeirão Preto”, disse o presidente nacional do PFL, o senador Jorge Bornhausen (SC). “Espero que seja um afastamento definitivo”, afirmou o presidente do PFL. “Se não for o governo ficou com um ministro fantasma, sem autoridade”.

As notícias sobre a saída de Palocci foram desencontradas. A nota oficial divulgada pelo ministério da Fazenda aponta o pedido de afastamento do cargo, o que não é a mesma coisa que exoneração. Com o afastamento, ele manteria o foro privilegiado se Guido Mantega não tivesse sido confirmado como novo ministro. Bornhausen avaliou que a queda do ministro foi o “coroamento da incompetência do governo Lula. Este é o início da derrocada”, afirmou.

Para o líder da minoria da Câmara, deputado José Carlos Aleluia (PFL-BA), “é inacreditável a falta de ética neste governo. Se for só um afastamento, o ministro fica apenas para manter o título e o foro privilegiado. É o último degrau da corrupção de qualquer forma, sendo saída ou exoneração”, avaliou Aleluia.

Para o líder tucano no Senado, Arthur Virgílio (AM), não se trata de um simples afastamento, mas de uma demissão real. “Quem derrubou o ministro não foi a oposição. Foi a sociedade, foi o caseiro”, afirmou. O “caseiro” mencionado por Virgílio é Francenildo dos Santos Costa, que trabalhou na mansão do Lago Sul alugada por ex-assessores de Palocci do período em que foi prefeito de Ribeirão Preto. Em depoimento à CPI dos Bingos, Francenildo afirmou que Palocci freqüentava a casa.