São Paulo - A Polícia Federal (PF) informou ontem que Peter Schaffner, gerente internacional para negócios no Brasil do escritório de “private banking” do Credit Suisse, permanecerá preso por mais até cinco dias. Schaffner, 50 anos, preso na última quarta-feira quando tentava embarcar para Zurique (Suíça) no Aeroporto Internacional de São Paulo (Guarulhos), deveria ser solto ontem, mas teve seu mandado de prisão temporária renovado pela Justiça e continuará detido na superintendência da PF em São Paulo.
A PF investiga a unidade de clientes de alta renda do Credit Suisse, segundo maior banco da Suíça, por suspeita de lavagem de dinheiro e envio ilegal de divisas ao Exterior. A sede do escritório de “private banking” foi alvo de operação de busca e apreensão, assim como as residências de outros quatro gerentes.
Segundo nota divulgada na última sexta-feira, as investigações criminais da “Operação Suíça” começaram em dezembro e já “foram obtidos fortes indícios de que os suspeitos efetivamente estavam atuando de modo ilegal, proporcionando a remessa ao Exterior de grandes somas de valores de origem suspeita, pertencentes a brasileiros e estrangeiros residentes no País, fato esse que, em tese, pode configurar crimes de evasão de divisas, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha”.
A PF justifica a prisão de Schaffner com a suspeita de que ele teria tentado fugir do País na última quarta-feira. O gerente havia chegado ao Brasil na semana passada e tinha retorno marcado para a Suíça para daqui a duas semanas, mas antecipou seu regresso logo após a execução dos mandados de busca no escritório em São Paulo.
A PF também apreendeu o passaporte de outros seis gerentes da unidade de “private banking” do Credit Suisse. Todos eles estão impedidos de deixar o País sem consentimento prévio do juiz Fausto Martins de Sanctis, da 6.ª Vara Criminal. As operações investigadas foram realizadas pelo escritório de representação do banco em São Paulo, que está vinculado diretamente à matriz na Suíça e está localizado na avenida Brigadeiro Faria Lima, 3.400. A ação não envolve o banco de investimentos - que no ano passado foi o principal coordenador de emissão de papéis no mercado de capitais brasileiro - nem outras unidades do Credit Suisse no País.
O banco de investimentos está no Brasil desde a década de 90 e cresceu com a compra do Garantia em 1998.