01 de maio de 2026
Tribuna do Leitor

Funil indesejável


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Para uma certa parte dos habitantes do Brasil, o final do ano é sinônimo de correria. Nervosismo, estresse e mau humor são algumas das características observadas nos vestibulandos. E é com razão que eles possuam esses sentimentos, pois a grande maioria não ingressa na tão almejada faculdade pública devido a uma seleção - o vestibular - na qual, nem sempre é o melhor que alcança o troféu. E qual seria o problema para essas reprovações? Falta de estudo? Má qualidade do ensino? Poucas vagas? Muita exigência? A maioria dos jovens que pretendem entrar em uma faculdade possui entre 17 e 21 anos. Alguns ainda nem decidiram que curso fazer e a cobrança é grande, principalmente, por parte da família. Essas situações trazem muitas responsabilidades para esses estudantes, entre elas a de mostrar resultados positivos após anos de estudo, não apenas para os outros mas, essencialmente, para eles mesmos. Dessa maneira, ocorre um desequilíbrio emocional que os prejudica no momento da avaliação.

O fato de não conseguirem o “passe” para o ensino superior vem também da debilitada forma de ensino brasileiro e o descuido para com os estudos por parte dos alunos. Quantas vezes não nos deparamos com um estudante de escola pública batalhando para aprender, enquanto um outro de escola particular nem se empenha em obter bons resultados? E nós sabemos que quem não possui uma boa escolaridade fica para trás nessa grande corrida seletiva. Mas a batalha não pára por aí. Alguns passam o ano pré-vestibular dedicando-se ao máximo e na hora tão esperada não conseguem concluir a prova ou então nem comparecem para a mesma. Existem muitos empecilhos no caminho de um vestibulando: falta de preparo físico e psicológico, concorrentes fortes, ensino com poucos recursos... No entanto, esses não devem ser motivos para que haja desânimo, pois o funil da seleção pode até não ser maleável, mas, com certeza, é permeável.

Milena Salmen Vidal