Existem situações em que as responsabilidades do cidadão devem falar mais alto que o cargo e as funções por ele exercidas. No caso da segurança pública, a situação atingiu um grande nível de degradação que a busca de soluções vai além das corporações e dos setores a elas diretamente relacionados, obrigando que todos se envolvam e exigindo uma mudança. Quem fizer de conta que não tem nada a ver com o tema poderá, em pouco tempo, deixar de ser espectador e virar a próxima vítima.
Vivemos, hoje, num País que se orgulha de estar entre as maiores economias do mundo. Mas, nesse país, ao mesmo tempo, há um avião da FAB sendo usado pelo narcotráfico; delegacias e quartéis são assaltados para roubo de armas e explosivos; bandidos, enquanto isso, são soltos e voltam às ruas; um cidadão vai a uma delegacia registrar um furto e é atendido com descaso; e quando quer saber as providências que serão tomadas pela polícia é solicitado a fornecer nome e endereço dos ladrões ou aguardar soluções.
Algumas medidas, entretanto, são urgentes. Será que as autoridades da área da segurança ainda não contabilizaram o altíssimo custo disso tudo para o País? Pior ainda é aquilo que não pode ser contabilizado monetariamente, como as vidas perdidas, a invalidez e a rotina de medo na sociedade, que trazem prejuízos à convivência e à saúde mental da população.
O momento que vivemos é tão grave que a impunidade, muitas vezes, começa com a banalização dos valores morais. Ela estimula pequenos infratores a repetir suas atitudes, transformando o “deslize” em “esperteza” e “malandragem”. Enquadram-se nesse perfil exemplos como o pagamento de propinas para evitar multas e a obtenção de vantagens pelo cargo. Esse é um caminho original, que começa a minar o poder de cobrança e fiscalização da população, pois torna as pessoas, de alguma forma, comprometidas com atitudes antiéticas ou imorais por elas próprias já praticadas ou que foram delas beneficiadas. Entretanto, é muito comum que essas mesmas pessoas manifestem uma postura bem crítica em relação ao comportamento de autoridades e figuras públicas. Portanto, cada um pode dar a sua contribuição ao fortalecimento dos valores para melhorar o convívio social.
A sociedade está se obrigando a exigir cada vez mais atitudes das autoridades públicas federais, estaduais e municipais, visando mudar um quadro que vem se agravando continuamente, sem a mínima perspectiva de melhora num futuro próximo.
Alguns exemplos têm trazido um fio de esperança, como foi o caso da CPI do narcotráfico, a prisão de grandes sonegadores e a penalização de figurões da nossa terra (políticos, juízes, esportistas). O que resta perguntar é: afinal, quais as prioridades dos nossos executivos e legislativos? E quando ela será a mesma da sociedade?
Matheus Gonçalves Ageouri