08 de julho de 2026
Internacional

França terá greve geral e 135 atos hoje

Folhapress
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Paris - A França se prepara para uma greve geral e intensos protestos contra a lei do primeiro emprego em todo o país hoje, que ameaçam prejudicar a economia e os transportes, além de levar violência às ruas. Líderes políticos e sindicais consideram o dia de hoje fundamental - o primeiro dia de greve das oito semanas de manifestações no país.

A mobilização de hoje coincide com a paralisação do diálogo entre o governo e os líderes e a crescente preocupação com o aumento da tensão em algumas regiões da periferia de Paris, cenário de confrontos sem precedentes em novembro de 2005.

Um total de 135 manifestações devem ocorrer na França hoje, afetando os serviço de transportes ferroviário, aéreo e público - metrô e ônibus - de mais de 70 cidades de todo o país. Em Paris, o metrô e os trens devem operar com apenas 50% de sua capacidade, o que deve prejudicar os deslocamentos na cidade de mais de 11 milhões de habitantes.

Os sindicatos esperam ainda a mobilização dos funcionários da administração pública - cerca de 5 milhões - para tentar superar a massiva participação nas últimas manifestações, em 18 de março, quando cerca de 1,5 milhão de pessoas foram às ruas.

Na última sexta-feira, 140 pessoas foram detidas e outra 60 ficaram feridas em Paris - incluindo o caso de uma manifestante de 21 anos que sofreu traumatismo craniano e foi hospitalizado, informaram fontes sanitárias. Dezenas de carros foram saqueados ou incendiados nos violentos episódios na capital, que também registrou assaltos a lojas. Mais de 60 das 84 universidades francesas e mais de 600 dos 4.330 colégios permaneciam fechados ou afetados por bloqueios e greves nesse final de semana.

A coordenação nacional estudantil, reunida na cidade de Aix-en-Provence, pediu anteontem a renúncia do governo francês e convocou uma “greve geral para o dia 4 de abril” se ele não revogar a lei.

As ações também fazem crescer o temor da retomada da violência que atingiu, em novembro passado, os bairros periféricos das principais cidades francesas, onde vivem muitos jovens descendentes de imigrantes e o desemprego chega a 50%.

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A lei

Paris - A lei do primeiro emprego, aprovada pelo Parlamento no mês passado, pretende reduzir o desemprego entre os jovens, facilitando sua contratação. Mas uma cláusula, que permite ao empregador demitir sem justificativa ou indenização, desagrada os jovens.

Líderes de cinco confederações trabalhistas se reuniram com o premiê francês, Dominique de Villepin, na sexta-feira passada, mas o encontro terminou sem acordo. A controvérsia ocorre antes das eleições no país, previstas para 2007.

Pesquisas apontam que a popularidade de Villepin está em queda, e a oposição afirma que irá revogar a nova lei caso vença as eleições.