Dois aparelhos celulares, um par de luvas e um boné localizados pelos bombeiros em um estacionamento de veículos atrás da loja de móveis e eletrodomésticos Romera, incendiada aonteontem, motivou abertura de inquérito pelo 3.º Distrito Policial. Como os celulares eram da loja, há suspeita de que o fogo tenha sido criminoso ou acidental, mas por alguém que tenha invadido o estabelecimento.
A loja fica na quadra 6 da rua 1.º de Agosto, região central de Bauru. Os objetos foram encontrados durante o trabalho de rescaldo realizado anteontem nas dependências da loja. As luvas estavam jogadas na grama, embaixo de um coqueiro. Os aparelhos celulares estavam próximos do muro que dá acesso ao estacionamento particular. Inclusive, a grama perto do muro e do portão de entrada apresentava sinais de pisoteamento.
Já o boné azul foi localizado bem perto do muro dos fundos da loja, também jogado no chão. Para o delegado do 3.º DP, Francisco Bromatti, os objetos encontrados são motivo para instauração de inquérito. “Os materiais foram apreendidos e entregues à Polícia Técnica. O laudo deve sair em 30 dias”, afirmou Bromatti.
Um das linhas de investigação será de que uma pessoa teria entrado na loja para furtar e de alguma maneira – criminal ou acidental - desencadeado o incêndio.
Para investigação, serão ouvidos preliminarmente o gerente da loja e o último funcionário a deixar o estabelecimento antes do fogo. Eles serão questionados se algum aparelho eletrônico foi esquecido ligado – o que poderia ter ocasionado o incêndio acidental.
Para ajudar no esclarecimento, os números das últimas ligações feitas e recebidas nos celulares apreendidos serão estudados. “Com os números, poderemos saber quais foram as últimas pessoas a se comunicar com quem estava usando o celular”, diz Bromatti.
O gerente da loja de móveis e eletrodomésticos Romera, André Silva, reconheceu os dois celulares apreendidos. Um deles é de uso corporativo, ou seja, dos próprios funcionários. O outro, aparentemente, não foi utilizado pois estava ainda dentro da embalagem. “Já confirmamos hoje (ontem) para a polícia que os dois celulares pertenciam a loja”, afirma Silva.
Atendimento
O gerente também disse que os clientes da loja podem buscar informações ou serem atendidos em novo local. A empresa alugou uma sala comercial no Edifício Caravelas, localizada na rua 1.º de Agosto 4-47, no décimo andar, sala 1.001. A partir de hoje ou amanhã, o telefone 3232-5542 voltará a funcionar.
“Pedimos transferência da linha telefônica e já estamos atendendo os clientes para informações, entrega e montagem de móveis. Silva afirmou que a entrega e montagem dos móveis deverá estar normalizada até sexta-feira. O gerente também esclareceu que em aproximadamente 30 dias, a loja deverá ser reaberta provisoriamente em outro estabelecimento. Os 50 funcionários entrarão em férias coletivas.
A cliente Julice Janis Ferreira Vieira acalmou-se depois que recebeu o endereço do novo contato da loja. Ela estava preocupada com os colchões que sua mãe comprou antes do incêndio e não havia recebido até ontem. “No sábado, liguei na loja e me disseram que o caminhão chegaria de Arapongas (Paraná). Quando fiquei sabendo do incêndio e vi que os colchões ainda não tinham chegado, fiquei preocupada”, disse.
O incêndio de anteontem que atingiu a loja e o depósito consumiu todos os móveis e eletrodomésticos. Apenas alguns aparelhos celulares que estavam nos fundos do depósito foram recuperados. Os prejuízos estimados são de R$ 250 mil.
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Engenheiros questionam
A direção da Associação dos Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos de Bauru (Assenag) não concorda com a afirmação do major José Guerxis de Aguiar, comandante interino do 12.º Grupamento de Bombeiros de Bauru, de que o artigo 9.º da Lei Municipal nº 3.996, que dispõe sobre a aplicação de normas e proteção a combate a incêndios e segurança, possuiu uma “brecha” uma vez que permite que o laudo de vistoria seja emitido pelos bombeiros ou por um engenheiro.
Guerxis disse que sem as orientações técnicas dos bombeiros, os estabelecimentos poderiam oferecer risco às pessoas. Ele enviou ofício à prefeitura e Câmara Municipal sobre o assunto. Representando a categoria, o presidente do Assenag, Marcos Wanderley Ferreira, argumentou que do ponto de vista técnico, a lei não permite “brecha” e nem tampouco gera polêmica pois é objetiva quando exige o laudo técnico e atribui a responsabilidade técnica ao profissional habilitado. “O engenheiro é responsável pelo laudo e, inclusive, responde criminalmente caso ocorra alguma irregularidade”, justifica.
Ferreira ainda argumenta que cabe ao Corpo de Bombeiros regulamentar, analisar e vistoriar as medidas de segurança contra incêndio nas edificações e áreas de risco, bem como realizar pesquisa de incêndio, conforme o Artigo 4º do Decreto Estadual Nº 46.076, de 31 de agosto de 2001, que “Institui o Regulamento de Segurança contra incêndio das edificações e áreas de risco”.