10 de julho de 2026
Articulistas

Palocci e os ‘desenvolvimentistas’


| Tempo de leitura: 1 min

Irrita-me, profundamente, este discurso conservador, ortodoxo e protecionista que defende os interesses de uma minoria, questionando os “riscos” da saída do ministro Antônio Palocci. O ex-ministro fez o jogo dos banqueiros, multis e grandes empresas que não dependem da política econômica brasileira e seus reflexos para comandarem os seus grandes negócios. O País perdeu enorme chance de crescer e se desenvolver economicamente, pois o mundo todo vive um boom espetacular de crescimento e nós não soubemos aproveitar este vento a favor.

Palocci foi medroso e medíocre. Merecíamos alguém muito mais corajoso e ousado economicamente. Abstenho-me de comentar seus outros aspectos constrangedores. A entrada do economista Guido Mantega poderá significar um avanço em termos de desenvolvimento econômico. Ele é menos ortodoxo e conservador e defende uma política de crescimento desenvolvimentista. Entretanto, para não chocar os “mercados”, ele precisa fazer o jogo “a la Palocci”. Este governo tem a última chance para reconhecer que errou e que pode e sabe fazer melhor.

O ministro precisa ter liberdade para influir na queda dos juros básicos e, na outra ponta, para os usuários/tomadores, influir no câmbio para salvar as exportações, melhorar a qualidade do crédito, nos resguardar do avanço chinês e incentivar/desonerar investimentos. Estas significativas mudanças poderiam aumentar a confiança do empresariado promovendo um clima de mais investimento, emprego, etc. Livrar a economia dos males atuais seria uma grande conquista para este governo.

A entrega do bastão político com o País crescendo e se desenvolvendo abriria o caminho para a promoção das reformas necessárias e a consolidação do crescimento sustentável de longo prazo. Acredito ser possível e torço muito pelo sucesso do novo ministro.

O autor, Ricardo Coube, é diretor do Ciesp - Regional Bauru