10 de julho de 2026
Internacional

Xiitas acusam presidente George W. Bush de vetar o premiê Jaafari

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Bagdá - Os partidos da Aliança Xiita, que venceu as eleições iraquianas, retomaram ontem as negociações com curdos e árabes sunitas para formar o governo sem esquecer o atrito com os EUA causado por uma operação militar realizada no domingo, em que entre 16 e 37 pessoas foram mortas por tropas americanas.

Washington também sofre a acusação de pressionar contra a escolha do primeiro-ministro do novo governo, o que as autoridades americanas negam. Apesar da retomada das negociações, a definição de um novo governo unitário deve demorar: “Quase nada aconteceu hoje”, disse Bahaa al Araji, membro da Aliança Xiita.

Alguns xiitas falaram em conflitos internos, outros em raiva direcionada aos EUA. Um dos problemas discutidos ontem foi a suposta interferência dos EUA na escolha do premiê. A aliança indicou o atual premiê, Ibrahim al Jaafari, apoiado por facções ligadas a xiitas iranianos.

Segundo um membro de um partido rival de Al Jaafari, o presidente dos EUA, George W. Bush, não quer a permanência do atual premiê. A Embaixada dos EUA negou que tenha havido a sugestão, mas um assessor de Jaafari disse que estava ciente de que houve a mensagem, que está fazendo a coalizão rever uma das poucas definições obtidas.

Saleh al Mutlak, líder sunita, disse: “Se houver uma vontade política real, haverá um governo em breve”. Mas a vontade dos líderes xiitas tem sido contestar o ataque dos EUA no domingo.

A versão dos EUA para o conflito conta que 16 insurgentes morreram depois de atacar a batida formada por soldados americanos e iraquianos. Ministros xiitas e a TV oficial do Iraque dizem que houve mais mortos e os EUA atacaram pessoas desarmadas que rezavam numa mesquita xiita.

O Pentágono apresentou ontem fotografias que, segundo o governo, comprovam a versão americana. Comandantes das forças dos EUA acusaram as lideranças xiitas de acreditar numa versão montada por pessoas que mudaram os corpos de lugar.

O Pentágono também deu subsídios para o governo dos EUA interpelar a Rússia quanto a seu relacionamento com o Iraque às vésperas da invasão liderada pelos americanos.

A secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice, telefonou ontem ao chanceler russo, Sergei Lavrov, para pedir que seja investigada a acusação de que, em 2003, membros da diplomacia russa forneceram ao então presidente Saddam Hussein dados sobre a movimentação das tropas que se preparavam para atacar o Iraque.