08 de julho de 2026
Internacional

Equipe segue tradição à risca

Folhapress
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Cazaquistão - O Soyuz foi tirado do prédio em que é montado às 7h. Mais uma tradição russa estava em andamento: foi nessa mesma hora, em 1961, que o foguete de Yuri Gagarin foi retirado para o transporte para a plataforma - a mesma que será usada agora. Na época, havia uma justificativa para o horário.

Como o antigo programa soviético era totalmente secreto, era melhor realizar o procedimento enquanto ainda estava escuro - o céu é negro às 7h em Baikonur nesta época. Hoje, o motivo é apenas manter uma tradição que deu sorte desde o início.

O foguete leva o nome de Soyuz-FG, versão mais recente dos velhos lançadores R-7, que têm servido religiosamente os russos em suas investidas no espaço desde a decolagem do Sputnik, primeiro satélite artificial, em 1957. Trata-se de um monstrengo de 39 metros de altura, composto por três estágios (“andares”).

Queimando um “andar” por vez e descartando-o assim que o combustível dele acaba, reduz-se a massa total que precisa continuar a ser empurrada para cima, aumentando a eficiência. Com isso, é possível atingir uma órbita terrestre baixa, que exige uma velocidade de aproximadamente 28 mil quilômetros por hora, e chegar à ISS, que agora orbita a Terra a cerca de 350 km de altitude.

Para realizar a proeza, o foguete queima pouco menos de 200 toneladas de combustível - uma combinação de querosene e oxigênio líquido. Mas, de tudo que deixa a Terra, a única coisa que chega realmente ao final da viagem é a pequena nave Soyuz TMA-8, com sete metros de comprimento.

A contagem regressiva começou até mesmo para quem não vai voar. Ao trio de astronautas reservas que substituiria o russo Pavel Vinogradov, o americano Jeffrey Williams e o brasileiro Marcos Pontes, coube ontem o privilégio de testemunhar o posicionamento do lançador.

Fiódor Yurtchikhin, substituto de Vinogradov, foi quem melhor definiu a sensação. “É como se você tivesse um terno Versace e então não pudesse usá-lo.”