09 de julho de 2026
Cultura

Uma orquestra de um homem

Diego Molina
| Tempo de leitura: 2 min

“Tom Jobim é um piano, Caymmi, um violão, Vinicius, uma caneta, Noel, um terno branco. Por analogia, Francis Hime é uma orquestra sinfônica”, já escreveu Ruy Castro. Nascido em agosto de 1939, Hime despontou como um dos melhores compositores de sua geração – e por conseqüência, sendo a sua geração a dos melhores, um dos maiores da história da música brasileira popular e também erudita.

No começo da década de 1960, tornou-se amigo do casal Vinicius de Moraes e Lúcia Proença e participava de reuniões com Carlos Lyra, Baden Powell, Edu Lobo, Dori Caymmi e Marcos Vale. Nesses encontros, Hime compôs a primeira música com Vinicius, “Sem Mais Adeus”, e conheceu Olivia. Em 1965, apresentou-se ao vivo pela primeira vez, ao lado de Dori Caymmi, num dos templos da bossa nova, e ainda concorreu no 1.º Festival de Música Popular Brasileira com “Por Um Amor Maior”, com letra de Ruy Guerra, defendida pela então estreante Elis Regina.

Nos anos seguintes, firmou-se como diretor musical de shows e musicais e seguiu acompanhando grandes nomes da MPB, como Milton Nascimento, Dori, Joyce, Valle e Vinicius. Na década de 70, destacou-se como um dos principais compositores de trilhas para o cinema nacional e, com uma temporada pós-AI5 nos EUA, abriu os olhos também para a música erudita.

Com Chico Buarque, é parceiro em grandes sucessos como “Atrás da Porta”, “A Noiva da Cidade”, “Passaredo”, “Meu Caro Amigo”, “Trocando em Miúdos” e “Vai Passar”. Depois da proliferação das parceiras e de lançamentos na década de 80, Hime viveu o que considera uma das maiores emoções de sua vida em 1993, ao reger a Orquestra Sinfônica Brasileira na estréia carioca de sua “Sinfonia n.º1”.

Nos últimos anos, estreou a “Sinfonia do Rio de Janeiro de São Sebastião”, escreveu 12 músicas para poemas de Manoel Bandeira e organizou seu songbook lançado há três anos.

Entre os planos para 2006, além do novo show, está a conclusão da orquestração de sua “Ópera do Futebol”, apresentação em três atos com cantores líricos e orquestra. “O tema é a rivalidade de dois irmãos, filhos de um ex-craque decadente. Um segue o caminho do esporte e vira um grande ídolo e o outro vai para as drogas”, revela Hime.