Trabalhar para manter um ambiente escolar livre de drogas e violência está se tornando uma necessidade cada vez maior em todo o País. É nessa linha que funciona o programa Jovens Construindo a Cidadania (JCC), da Polícia Militar, que tem como objetivo prevenir o crime entre crianças e adolescentes por meio de ações realizadas em diversas instituições de ensino. Em Bauru, aproximadamente 5 mil alunos são beneficiados diretamente pelo projeto, aponta o capitão Jorge Duarte Miguel, comandante da 1.ª Cia da PM e secretário nacional do JCC Brasil.
De acordo com ele, no Brasil, o programa - criado em 1979 nos Estados Unidos (leia mais abaixo) - atende 220 escolas distribuídas em 66 cidades dos Estados de São Paulo, Minas Gerais, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Seguindo o modelo internacional, o JCC em Bauru promove diversas atividades relacionadas à prevenção criminal juvenil. Entre elas, cursos de educação contra as drogas e fogos de artifício, acidentes domésticos; técnicas para evitar pichações e campanhas educativas desenvolvidas por estudantes nas próprias escolas.
Devido à sua eficácia no desenvolvimento das atividades preventivas, o JCC Brasil ocupou lugar de destaque na 17.ª Conferência de Prevenção Criminal Juvenil e Fórum Internacional realizado entre os últimos dias 20 e 23, em Ogden, estado americano de Utah. O evento contou com mais de 1.500 participantes, entre jovens, professores e voluntários de 17 países.
A delegação brasileira foi composta por 12 pessoas, entre policiais, representante da imprensa e liderança indígena. (confira abaixo). O JCC brasileiro recebeu oito premiações, sendo sete delas para Bauru e região. Entre eles, o de melhor orientador, entregue aos soldados Luciana de Lourdes Carminati e Dimas André Rossi; e de melhor diretora escolar a Maria Helena Catini Campagnucci, da escola “Christino Cabral”. O Jornal da Cidade – que desde 1996 participa dos programas de prevenção criminal desenvolvidos pelo JCC (leia mais ao lado) – também foi premiado no evento. A oitava condecoração foi entregue à aluna Gislene Aparecida Gismene, de Bragança Paulista.
Para o capitão Jorge Miguel, um dos principais benefícios proporcionados pela conferência foi a troca de experiências relacionadas à prevenção criminal. “Conversamos com crianças e jovens de 7 a 17 anos, em média, de várias partes do mundo, trocando informações sobre o que eles estavam fazendo”.
“Pudemos observar que o trato da prevenção criminal com drogas desenvolvido em nosso País, por exemplo, está totalmente condizente com os padrões utilizados nas outras nações mais ou menos desenvolvidos”, detalha Jorge Miguel. “Observamos também as peculiaridades de cada país. Os alunos de Moscou sofrem com o problema do aquecimento, onde o clima é muito frio já no Brasil é muito calor. Mas apesar das realidades diferentes entre os dois países, os problemas de drogas, gravidez precoce, embriaguez e brigas na hora do recreio são os mesmos”, prossegue.
A soldado Luciana concorda com o capitão e acrescenta: “Foi uma experiência ímpar porque não trouxe só conhecimento profissional, como cultural, social e educacional.”. Para a coordenadora comercial do Jornal Cidade, Kátia Ramanzini, que representou a empresa na conferência, destaca a importância do evento: “Foi um prazer participar da conferência e poder conhecer a dimensão que é conferida ao JCC nos Estados Unidos”.
Credibilidade
Além do intercâmbio cultural, aponta Jorge Miguel, as premiações aumentaram a credibilidade do JCC brasileiro e estimularam a auto-confiança dos voluntários participantes do programa. Em Bauru, as ações preventivas são desenvolvidas por cerca de 20 policiais, alunos, direção escolar, empresas e entidades. Um dos trabalhos mais recentes é o denominado “Patrulha Relâmpago”, explica o capitão Jorge Miguel. “É uma técnica desenvolvida por um grupo de alunos em suas escolas. No Carnaval, por exemplo, eles escreviam mensagens educativas na lousa para prevenir mortes e acidentes de trânsito”, diz.
Outra atividade contra pichações é a grafitagem e a reprodução de telas famosas nos muros das escolas, ressalta o soldado Dimas. Visando estender as ações a um número cada vez maior de pessoas, o JCC em Bauru está programando para os próximos meses uma série de novas ações, como o projeto “Recreio Relâmpago”, diz Jorge Miguel. “A idéia é que um grupo de estudantes ‘tome conta’ de outros alunos durante o intervalo, não interferindo diretamente, mas explicando para o outro, por exemplo, que é errado jogar o papel de sorvete no chão.”.
Datas comemorativas também são temas das atividades do JCC, ressalta o capitão. “Em maio, iniciaremos um trabalho de prevenção sobre as ‘bombinhas’ usadas na época das festas juninas, explicando suas consequências. Em julho, o tema será o cerol, já que em agosto, tradicionalmente, é período das pipas”, diz. Ma as atividades não se restringem apenas aos estudantes do ensino médio. “Começaremos um trabalho na Universidade do Sagrado Coração, conscientizando os alunos evitar os furtos, não deixando frestas ou pacotes à mostra no interior dos veículos”, detalha.