Como se ainda fosse necessário, a estreita relação entre escolaridade e desenvolvimento econômico está novamente confirmada. Desta vez, pelo relatório Redução da pobreza e crescimento: círculos virtuoso e vicioso (Poverty reduction and growth: virtuous and vicious circles), que o Banco Mundial divulgou recentemente. Apesar de não ser mais novidade para os especialistas e todos os brasileiros que se preocupam com o futuro das novas gerações - até porque foi uma das razões mais invocadas para explicar o boom dos Tigres Asiáticos, que surpreendeu o mundo nos anos 80, capitaneado pelo impressionante exemplo de escolarização dado pela Coréia em pouco mais de duas décadas - nunca é demais invocar esse vínculo: educação é o mais forte diferencial competitivo apresentado por uma nação.
Essa relação, embora corroborada não só pelos Tigres Asiáticos, mas, mais recentemente, pela China - cuja velocidade de crescimento não tem precedentes e é de causar inveja a um Brasil que patina numa taxa de crescimento de 2,3%, à frente apenas do pobre Haiti -, ainda não está suficientemente assimilada pelos responsáveis pela agenda das prioridades da América Latina (com raras exceções, como o Chile, dono também de expressivos avanços da economia), como mostra o relatório do Banco Mundial, evidenciando que o antigo círculo vicioso, que resulta na perniciosa simbiose de pobreza com ausência de investimentos, que condena largos segmentos da população latino-americana à exclusão social. Para exorcizar essa maldição que parece pairar sobre a região, o ponto de partida, como indicam praticamente todos os casos de países que conseguiram romper os grilhões da pobreza, é a adoção de uma sólida política pública que dê prioridade total à educação e persista por vários governos. Se ainda fosse necessário exibir estatísticas que reforcem essa tese, defendida por brasileiros responsáveis há décadas, o estudo do Banco Mundial mostra que quem conclui o ensino fundamental tem 45% de probabilidade de se manter na pobreza, porcentagem cai para 15% para quem termina o ensino médio.
É preciso reconhecer que, nos últimos anos, o Brasil vem reagindo diante de seus problemas educacionais. Mas ainda é preciso avançar mais para transformar o ciclo vicioso do País – que ainda ostenta índices vergonhosos relacionados à educação, como o de analfabetos puros e funcionais – em virtuoso. Estudos como o do Banco Mundial continuam alertando para a urgência de ações que comecem a solucionar nossos problemas na área educacional.
O autor, Luiz Gonzaga Bertelli, é presidente executivo do CIEE, da Academia Paulista de História - APH e diretor da Fiesp