08 de julho de 2026
Polícia

Adolescente morre jogando basquete

Diego Molina
| Tempo de leitura: 3 min

Acostumado a praticar esportes, o adolescente Diego Luís da Silva, 17 anos, morreu ontem à tarde após passar mal enquanto jogava basquete com amigos. De acordo com informações do Serviço de Atendimento Médico de Urgência (Samu), os atendentes não conseguiram reanimá-lo depois de sofrer uma parada cardíaca, por volta de 13h40, na escola estadual Ayrton Busch, no Parque Jaraguá. Encaminhado ao Pronto-Socorro Central (PSC), ele já chegou morto à unidade de saúde.

Segundo o chefe das Unidades Descentralizadas do Mary Dota, Ipiranga e Bela Vista e médico atendente do Samu, Aigiro Kamada, uma viatura de atendimento que estava próximo do Parque Jaraguá foi encaminhada ao local logo após a solicitação de socorro. Quando os atendentes constataram que Silva estava em parada cardíaca, a ambulância de suporte avançado também foi direcionada à escola.

Amigos de Silva que foram até o Pronto-Socorro Central acompanhando a família confirmaram que ele tinha acabado de almoçar e estava jogando basquete quando passou mal. Ele teria reclamado de tontura e, em seguida, sentado na quadra. Ao ser auxiliado por outros adolescentes, ele teria vomitado e perdido a consciência.

De acordo com Kamada, só será possível determinar a causa da morte do rapaz com a realização de necrópsia. “Não é recomendável comer e praticar esportes, especialmente no caso de pessoas portadoras de alguma doença coronariana pois, no período de digestão, o fluxo sangüíneo é muito grande no sistema digestivo”, explica. O médico cardiologista completa que há casos de pessoas que têm morte súbita com parada cardíaca em função de cardiomiopatia hipertrófica. “Acontece inclusive com atletas”, frisa.

Rapaz saudável

Morador do Núcleo Bauru 16, Silva trabalhava como auxiliar mirim na Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL). De acordo com sua mãe, Maria Aparecida Luís, o adolescente não tinha uma vida sedentária e nunca havia apresentado qualquer problema mais grave de saúde. “Ele ia e voltava do trabalho de bicicleta todos os dias, estava sempre jogando bola, sempre fez esportes, ele fazia ginástica olímpica. Um menino que é tão ativo assim não pode ter problema (para fazer exercícios)”, comentou a mãe, bastante abalada e acompanhada do irmão de Silva.

Luís Ferreira da Silva Filho, pai do rapaz, também compareceu ao PSC e se mostrava inconsolável. “Ele sempre foi um menino saudável, nunca teve nenhum problema grave. É uma fatalidade. Nosso único consolo é chorar”.

Silva estava na escola Ayrton Busch participando de atividades do programa Escola da Família, que abre as escolas à comunidade nos finais de semana. De acordo com o assistente técnico de Planejamento da Diretoria Regional de Ensino, Paulo Maximino, sempre há um educador profissional ou universitário na coordenação das atividades. “A escola fica aberta aos finais de semana e o esporte é a maior procura. Esse caso é uma fatalidade”, afirma.

A diretora regional de Ensino, Vera Nilce Jarussi de Sá, ressalta que o adolescente não se envolveu em nenhuma briga ou qualquer problema ontem à tarde, antes de passar mal. “Apuramos isso e não houve nada, foi realmente uma fatalidade. O socorro chegou rápido mas não foi possível salvá-lo. O Diego era um menino da comunidade, estava sempre na escola e na quadra. Pedi para disponibilizarem um ônibus para levar a família ao enterro”, finaliza.

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Ocorrências

Em dezembro do ano passado, um garoto de 12 anos também foi vítima de uma fatalidade semelhante à que matou Diego Luís da Silva. Paulo Roberto Victor era vítima de uma cardiopatia e morreu após levar um soco na região epigástrica, a chamada “boca do estômago”, durante uma briga com outro adolescente. O soco teria atingido o nervo vago, que regula e inibe o funcionamento do coração.

Outro caso semelhante foi o do zagueiro Serginho, do clube São Caetano, que morreu no campo, durante uma partida, no final de 2004. Mesmo tendo recebido massagem cardíaca, respiração boca-a-boca e sendo encaminhado a um hospital, ele foi vítima da chamada morte súbita.

O jogador foi vítima de uma parada cardiorespiratória e sua morte deixou a sociedade em alerta, na época, para problemas cardíacos inclusive em pessoas com hábitos saudáveis.