08 de julho de 2026
Bairros

Com curva fechada e pouca luz, Antenor de Almeida é perigosa

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 4 min

Iluminação precária, curvas perigosas e falta de conscientização de motoristas e ciclistas está tornando a avenida Antenor de Almeida um grande perigo para quem transita por lá. A via liga a avenida Nações Unidas, na altura da rua Padre Francisco Van Der Mass, à avenida Edmundo Coube, nas proximidades da Unesp, passando por quatro condomínios fechados e o Jardim Nicéia. A avenida é criticada por autoridades e usuários pela falta de estrutura.

Um dos trechos mais criticados é a série de curvas sinuosas, logo após o prédio da Maçonaria, no sentido avenida Nações Unidas-Jardim Nicéia. Por ser muito fechada, ela pode causar tombamentos de veículos. Um morador da região, que preferiu não se identificar, falou que um carro já tombou na curva, mas como não houve vítimas, os próprios passageiros ajudaram a desvirar o veículo. Sidnei Batista, 44 anos, trabalha na região. Para ele, as pessoas que utilizam a via se expõem a um grande risco. “A maioria da avenida não tem calçada. E aquela curva é um perigo”, observa.

O empresário Ralph Ribeiro Júnior aponta que, em algumas horas do dia, o movimento de veículos no lugar é intenso. Em frente ao seu empreendimento, começa um prolongamento da avenida, que foi interditado há alguns meses pela Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb). Para ele, se bem sinalizado, o prolongamento poderia diminuir os acidentes. A assessoria de imprensa da empresa explica que a interdição foi feita porque o prolongamento, que contorna uma área de preservação ambiental, não se liga novamente à avenida.

Enquanto soluções não são postas em prática, os acidentes vão se sucedendo. Ana Carolina Nunes Daniati, estudante de desenho industrial, acaba de tirar os pontos dos ferimentos causado por um acidente que sofreu no local. Na noite de 22 de março, ela voltava de bicicleta da Unesp, onde estuda desenho industrial, quando ao dar passagem para um carro que vinha atrás, bateu na guia da calçada e caiu, perdendo a consciência. “É uma descida e você acaba pegando velocidade. Quando começou a parte sem iluminação, fui para o lado e bati na guia”, lembra. Para ela, a falta de iluminação, as curvas fechadas e a ausência de calçamento são os principais problemas. “A prefeitura vai esperar algum acidente mais grave, alguém morrer para resolver o problema?”, questiona.

Ela reconhece que estava sem os equipamentos de segurança, mas acredita que não se machucou mais por sorte. “O motorista que estava atrás, estava devagar. Ele poderia ter me atropelado”. Para resolver o problema, ela sugere a imediata iluminação do local e a construção de lombadas na avenida.

Na mesma via, Diego Fávero voltava em sua bicicleta, da Unesp, onde estudava em 2004 quando sofreu o acidente. Era por volta das 22h30 e ele cortou caminho pela avenida Antenor de Almeida. Fávero também confessa que estava em velocidade alta e sua bicicleta não possuía farol, por isso não viu um grupo de universitários a pé. “Eu só escutei alguém gritando: cuidado!”, lembra.

Ele trombou violentamente com uma garota, que ficou três dias internada em observação devido a um traumatismo intracraniano. Ele também sofreu ferimentos pelo corpo, especialmente o ombro, que ficou inflamado. “Devo ter voado uns dez metros. Se tivesse iluminação no local, com certeza eu teria visto o grupo e evitado o acidente”, acredita.

O estudante afirma que já viu inúmeros acidentes semelhantes no local, mas continua cortando caminho pela avenida. Agora, ele prefere andar pelo mato que existe nas laterais da via do que se arriscar novamente. Questionado sobre o que mudou no lugar de 2004 para este ano, ele é enfático: “O mato cresceu”.

O capitão Válter Luís Gonçalves, comandante, da da 4.ª Companhia da Polícia Militar, destaca que a avenida não possui índice de crimes violentos, como assaltos. “Mas o fluxo de veículos realmente aumentou. O local precisa ser reestruturado”, avalia. Para o capitão, os ciclistas que andam pelo local também precisam se conscientizar. “Eles estão sem capacetes, em alta velocidade e sem luminosos. É imprudência dos ciclistas andar sem os equipamentos determinados”, pontua.

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Duplicação

A Emdurb informa que está reforçando a sinalização na região do Núcleo Geisel e que a avenida Angenor Almeida está no cronograma de trabalhos. A assessoria de imprensa da empresa afirma que vai encaminhar um pedido à sua diretoria para a realização de estudos sobre a viabilidade de construção de lombadas no local, um pedido dos usuários da avenida.

Já a Secretaria Municipal do Planejamento informa que há projeto para duplicação da avenida Antenor de Almeida no trecho próximo aos residenciais Odete, Tavano e Sauípe. Mas de acordo com a assessoria de imprensa da prefeitura, não há recursos financeiros para execução da obra.

Ainda não existe nada de concreto sobre a iluminação da avenida. A assessoria de imprensa da prefeitura explica que o município e a Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL) pretendem assinar contrato para substituição de lâmpadas e instalação de novos pontos de iluminação pública em Bauru. Segundo a assessoria, o projeto de lei que solicita autorização para formalização do acordo foi encaminhado à Câmara Municipal e o cronograma das vias que serão atendidas prioritariamente será definido pela Secretaria Municipal de Obras e pela CPFL.