Brasília - O ministro Nilson Naves, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), negou anteontem recurso apresentado pela defesa e que tentava derrubar a tese de fraude processual contra os irmãos Daniel e Cristian Cravinhos, acusados pela morte do casal Marísia e Manfred von Richthofen, ocorrido em 2002, em São Paulo. Ao lado de Suzane, filha das vítimas, os irmãos são acusados de alterar a cena do crime para simular latrocínio (roubo seguido de morte). Com isso, eles devem ser julgados por fraude processual e pelas mortes.
O Tribunal de Justiça (TJ) de São Paulo já havia entendido não ser possível excluir o crime de fraude, pois, inicialmente, a atitude teria levado a polícia a tratar o crime como latrocínio. Após a decisão, recursos apresentados pela defesa dos irmãos e de Suzane não foi aceita, o que levou os Cravinhos a apresentarem agravo de instrumento ao STJ.
Presos
No mês passado, 5.ª Câmara de Direito Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo negou, por unanimidade, o pedido de habeas corpus dos irmãos. Eles haviam sido libertados provisoriamente em novembro do ano passado graças a uma decisão dos ministros da 6.ª Turma do Superior Tribunal de Justiça. Porém, voltaram a ter a prisão preventiva decretada em janeiro último, devido a uma entrevista concedida à rádio “Jovem Pan”.
Durante a entrevista, os irmãos Cravinhos disseram que Suzane - filha do casal e também acusada pelo crime - era estuprada pelo pai desde os 13 anos de idade e que, dias antes do crime, os três foram à casa da família - a pedido da jovem - para testar o volume do disparo de uma arma de fogo. O julgamento do trio está marcado para o dia 5 de junho.
Suzane aguarda o julgamento em liberdade desde junho de 2005, quando obteve liberdade provisória graças a uma decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Em fevereiro deste ano, ela esteve no fórum criminal da Barra Funda (zona oeste de São Paulo) para assinar um termo no qual se compromete a não sair da cidade de São Paulo até o julgamento. Os três foram denunciados (acusados formalmente) pelo Ministério Público de duplo homicídio triplamente qualificado por motivo torpe, meio cruel e impossibilidade de defesa da vítima.
Os Richthofen foram surpreendidos enquanto dormiam e mortos a golpes de bastões, ainda na cama. Os irmãos Cravinhos e Suzane foram presos em novembro de 2002, quando confessaram seu envolvimento no crime.