09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Vamos seguir a lição deixada pelo professor Célio?


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Célio Gonçalves adentrou e saiu desta vida deixando uma grande lição: a discrição. Partiu na madrugada de um domingo fazendo com que muitos amigos e admiradores não tomassem conhecimento de sua passagem para o segundo andar.

Para quem o conhecia, não foi nenhuma novidade, considerando que sempre norteou sua vida particular e profissional sob tal ótica. De minha parte, sempre militei politicamente em defesa daqueles que foram oprimidos e perseguidos durante o regime militar implantado em 1 de Abril de 1964 e anos atrás fui surpreendido com o aparecimento de um novo subversivo, cassado pelos militares.

O cidadão era funcionário da Supra – Superintendência da Reforma Agrária – durante o governo Jango Goulart, e logo no início da ditadura foi exonerado a bem do serviço público, além de ter seus documentos particulares – carteira de trabalho, identidade -, apreendidos pelos órgãos da repressão. Conseguiu escapulir para nossa Bauru e por estar ausente da Capital Federal acabou por não realizar a segunda fase de um concurso público para o Senado Federal.

O nome deste subversivo anônimo?

Célio Gonçalves.

A partir desta data, começamos a ajudá-lo para ver seus direitos trabalhistas restabelecidos e sua partida prematura impediu de vê-lo comemorar a vitória. Certa vez, perguntei ao professor:

- Célio, porque você nunca comentou a sua demissão?

A resposta, como sempre, foi objetiva:

- Iriam pensar que estava querendo aparecer!

Assim era Célio!

Com discrição trabalhou com inúmeros prefeitos, de Alcides Franciscato a Nilson Costa, que terminou por demiti-lo. Mostrava profundo respeito pelos ex-chefes, em especial por Dr. Alcides e Tidei de Lima. Recentemente, emocionado, dizia:

- Dr. Alcides adquiriu o acervo do Aldire Guedes. A memória fotográfica de Bauru está preservada!

Dedicava-se a identificar os locais retratados pelo mestre da fotografia bauruense e tal missão estimulava-o a viver, esquecendo-se um pouco da mágoa de ter sido demitido de sua segunda casa, a prefeitura. Alguns daqueles com quem trabalhou só foram lembrar da sapiência, da discrição, da competência, da lealdade do companheiro depois deste estar morto. Coisas do jogo da vida!

Primeiro correspondente de rádio de Bauru em Brasília, radialista, jornalista, mestre de cerimônias de conduta inatacável, hoje deve estar formando uma nova mesa para discutir os problemas de nossa Bauru. João Simonetti, Sampainho, Galvão de Moura, dentre tantos outros, devem estar convocados para o bate-papo deste sábado.

Se pudesse estar em Bauru, neste sábado iria me encontrar com ZB e Cabral e relembrar as histórias do mestre, que já faz falta. Por enquanto, resta seguir a lição: - Oremos e trabalhemos também!

Antonio Pedroso Júnior