Único componente que armazena energia num aparelho celular, a bateria é a principal causa de explosão de telefones móveis. Só esse ano, três aparelhos explodiram. Dois deles, enquanto estavam carregando as baterias. O mais recente aconteceu no último dia 1, em São José do Rio Preto. A dona de casa Tutako Furukava de Almeida, 69 anos, sofreu queimaduras de primeiro grau na mão direita e teve roupas de cama e colchão queimados pelos estilhaços de seu telefone celular, que explodiu quando era carregado na tomada elétrica de seu quarto. Em Bauru, Sullivan Augusto Mariano, 23 anos, também perdeu seu aparelho, que explodiu uma hora depois de ser colocado para recarregar, no ano passado.
O professor do Departamento de Engenharia Elétrica da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru, Nasson Pereira de Alcântara Júnior, explica que a bateria é o componente que contém energia, por isso, é a fonte das explosões. “Os outro elementos são passivos, não armazenam cargas”, observa. Ele ressalta que as baterias de telefones celulares são construídas para evitar contaminação e outros riscos e frisa que explosões são raras. “O que pode acontecer é um defeito de fabricação, um manuseio inadequado do aparelho. Mesmo os defeitos são difíceis, porque as empresas são muito cuidadosas na confecção das peças”, aponta.
Mas por que a bateria? De acordo com o professor, a energia que elas acumulam pode levar a reações químicas que causariam a explosão. Por esse mesmo motivo, elas não podem ser descartadas diretamente no lixo. As assistências técnicas e revendedoras de aparelhos possuem lixos específicos para baterias, que possuem destinação própria. Para evitar riscos, além de evitar expor a bateria ao calor, umidade e outros locais, os fabricantes já alertam nos avisos que constam na própria peça: leia o manual do aparelho e utilize apenas baterias e recarregadores originais.
A idade do aparelho também influi no mal funcionamento da bateria. Mas com a rapidez das inovações tecnológicas, os aparelhos vão ficando superados e as pessoas - que chegavam a ficar cerca de três anos com o mesmo telefone - vão trocando os modelos a cada ano. “Não dá tempo da bateria ficar velha”, analisa o professor.
Susto
No Brasil, existem mais de 80 milhões de aparelhos celulares em funcionamento e um deles explodir é uma chance muito remota. Mas o telefone de Sullivan Augusto Mariano foi uma dessas exceções. Em outubro do ano passado, ele deixou o seu aparelho para carregar e foi dormir. Por volta das 6h, o telefone começou a dar o sinal sonoro de bateria fraca. Ele colocou o telefone no recarregador, que estava em cima de uma estante e voltou para a cama. Uma hora depois, ouviu a explosão.
Apesar do susto, Mariano não sofreu nenhum ferimento, mas a estante e um aparelho de som foram atingidos. “O susto foi grande. A marca do aparelho na parede está lá até hoje”, diz. Ele lembra que o celular tinha três anos de uso. Logo depois do incidente, ele entrou em contato com o fabricante do telefone, que levou o aparelho para a perícia.
“Eles me informaram que a bateria não era original. Apresentei a nota fiscal do lugar onde comprei e eles dissertam que faltava essa especificação de que a bateria não era da fabricante. Mas até hoje estou esperando o laudo técnico”, conta.
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Segurança
De acordo com o Procon, órgão de defesa do consumidor, os usuários que perceberem algum problema com seus celulares devem procurar a assistência técnica autorizada pelo fabricante. O usuário também deve ficar atento às especificações do manual de instruções. Para evitar problemas, antes de adquirir um aparelho de telefone celular, pesquise. De acordo com o órgão, o consumidor deve observar o tempo de duração da bateria, o tamanho e o peso do aparelho e acessórios.
Já na hora da compra, a pessoa deve verificar se todos os itens são originais e se estão detalhadamente descritos na nota fiscal ou no pedido, incluindo o número de série, as condições e valores de pagamento, a data da entrega.
Até mesmo na embalagem deve constar todos os dados do fornecedor, como nome, CGC, endereço, telefone. O consumidor deve exigir o certificado de garantia, manual de instrução do produto e a relação da rede de assistência técnica autorizada.