Os quatro incêndios de grandes proporções que atingiram estabelecimentos comerciais em Bauru nos últimos 12 meses levaram muitos empresários a rever suas apólices de seguro. De acordo com a delegacia regional do Sindicato dos Corretores de Seguros (Sincor), cerca de 35% dos executivos que possuem apólices procuraram ajustar seu capital, calcula Leilane Figueiredo Strongren, delegada da entidade.
Ela afirma que a busca para o fechamento de novas apólices não aumentou muito. Em compensação, muitos empresários procuraram suas companhias para verificar se a verba contratada estava adequada ao risco que seus empreendimentos estão sujeitos. “Como nunca vivemos a questão do incêndio em Bauru, não davam muita importância a isso. Eles (os empresários) calculavam o valor numa estimativa de quanto seria. Depois do primeiro (grande incêndio ocorrido na cidade), ficaram assustados”, explica Strongren.
De acordo com ela, o primeiro setor a ficar alerta foi o de supermercados, que passou a analisar melhor suas apólices. Depois, foram seguidos por outras áreas do comércio, além de condomínios e residências. “O cliente possuía uma verba para incêndio de R$ 5 mil. Ele percebeu que esse não era o valor que tinha em estoque. Para adequar a situação, aumenta esse valor tentando chegar o mais próximo possível da sua realidade”, observa a delegada.
Ela ressalta que os seguros empresariais e de residência não são caros, principalmente se comparados com os valores das apólices de automóveis. Para a cobertura contra incêndio, explosão e fumaça de um prédio comercial avaliado em R$ 350 mil, Strongren calcula que o cliente pagará R$ 492,89 ao ano. Se a cobertura incluir danos elétricos, num valor de R$ 10 mil, o empresário desembolsará R$ 680,00 a mais. Ou seja, um seguro que custa pouco mais de R$1.100,00 ao ano.
“Nós analisamos o que o cliente possui que possa dar problemas de danos elétricos. Numa empresa, é o computador, a central telefônica, qualquer material eletrônico que possa ser danificado com uma variação de energia”, observa. Já para residências, o seguro é mais barato. Para uma casa no valor de R$ 170 mil, a cobertura contra incêndios é de R$ 36,21 ao ano. “Hoje, por volta de R$ 150,00 você faz um bom seguro de residência”, aponta Strongren.
Outro ponto destacado pela delegada é a agilidade da seguradora em pagar a apólice. “O incêndio acontece e em questão de três dias a companhia já dá um adiantamento para começar a reforma. Para o comerciante não é interessante ficar fechado”, explica. Para os empresários, a delegada ressalta a importância de ler as apólices.
Palestras
O Corpo de Bombeiros também está sendo mais procurado pelas empresas para oferecer palestras sobre segurança. De acordo com o sargento Ricardo Souto Dias Garcia, até o início deste mês já foram realizadas de 15 a 20 palestras e atividades educativas em Bauru. As empresas que se interessarem devem enviar um ofício à corporação solicitando o evento. “O número aumentou. As pessoas estão prestando mais atenção à prevenção”, avalia Garcia.