08 de julho de 2026
Polícia

PM acha droga com mulher em albergue

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 2 min

A Polícia Militar (PM) apreendeu ontem 450 gramas de maconha na bagagem de uma mulher que estava pernoitando no Albergue Noturno de Bauru. M.R.A. 30 anos (a polícia não divulgou o nome completo) saiu de Botucatu com destino a Getulina e ficou hospedada no albergue em Bauru durante o final de semana à espera de uma passagem gratuita para Lins, de onde pretendia seguir até Getulina.

A suspeita da PM é que ela pretendia entrar com a droga no presídio de Getulina. Na mochila da acusada foi encontrada uma fralda recheada com cinco pacotes de maconha em forma de tubos, prontos para serem escondidos na vagina e, assim, entrar na penitenciária. Cada um dos tubos pesou quase 100 gramas. A mulher disse que era a primeira vez que fazia o transporte de droga, mas há suspeitas que a prática ocorria há mais tempo.

O comandante da Base Centro, tenente Jorge Luis Dias, lembra que rotineiramente os policiais militares fazem uma triagem junto aos usuários do Albergue Noturno. “Nós verificamos quem chegou e quem está de saída. As pessoas suspeitas passam por revistas”, conta. De acordo com ele, semanalmente uma ou duas pessoas procuradas pela Justiça são presas no local. “Se passar por andarilho é uma forma da pessoa fugir da Justiça”, comenta.

Desde o dia 3 de março, a PM já apreendeu um quilo de crack, 1.442 gramas de maconha e 135 gramas de cocaína. Deste total, um quilo de crack, 1.355 gramas de maconha e 135 gramas de cocaína foram encontrados com mulheres.

O Presídio Feminino de Cabrália Paulista, que abriga as mulheres presas em Bauru e região, está com 55 detentas, das quais 41 respondem por tráfico de entorpecente. Para o diretor do presídio, Rogério Dantas, o percentual continua o mesmo há anos. “Aumentou o número de prisões, mas o percentual de presas por tráfico continua o mesmo”, diz.

A tendência de usar a mulher como ‘mula’ (gíria usada entre os marginais para denominar aquele que transporta a droga), vem se acentuando ano após ano. Elas assumem o ponto-de-venda assim que o companheiro vai preso.

Para o delegado assistente da Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (Dise) de Bauru, Kléber de Oliveira Granja, a mulher tem mais facilidade em transportar e entrar em presídios com a droga. “Elas escondem a droga na vagina”, lembra.

No caso específico da mulher presa ontem, ele acredita que ela optou por pernoitar no Albergue Noturno para economizar e dissimular a ação. “Ela deixa de pagar a hospedagem e ainda não desperta a atenção. Ela deve estar ganhando cerca de R$ 200”, especula.