Um dia após a Prefeitura de Bauru ter obtido junto à Vara da Fazenda Pública local a liminar que determinou multa diária de R$ 1 mil ao Sindicato dos Servidores (Sinserm) e 11 dias após o início da greve, a maioria dos manifestantes continuou a paralisação. No mesmo dia, desafiando a ordem judicial, a entidade anunciou a ida ao Tribunal de Justiça do Estado (TJ) com recurso para tentar derrubar a decisão contrária à mobilização.
De olho na estratégia da administração municipal, de tentar esfriar a mobilização, concedendo inclusive ponto facultativo nesta quinta-feira, o sindicato contabiliza que 1.500 já aderiram ao movimento grevista, enquanto que a prefeitura contabilizou 357 adesões ontem, ou seja, 7,2% do total de 4.900 servidores da gestão direta.
Se as contas estiverem certas, no mínimo, o sindicato conseguiu, ontem, manter o estágio de participação. Os grevistas também mantêm a rotina de se reunir pela manhã em frente ao sindicato, localizado na quadra 9 da rua Cussy Jr, no Centro. Enquanto isso, a entidade espera a apreciação de agravo de instrumento. “Esperamos que entre hoje (ontem) e amanhã (hoje), consigamos a legalidade da greve”, diz a diretora do Sinserm, Eliana Martins.
Com a continuidade do movimento, as filas no Pronto-Socorro (PS) Municipal continuaram. Dos seis médicos – quatro clínicos geral, um ortopedista e um cirurgião, que normalmente dão plantão no PS Central-, ontem, quatro estavam trabalhando. No Pronto-Atendimento Infantil (PAI), apenas um pediatra atendia por turno.
A dona de casa Josiane Madeira levou a filha e a irmã para atendimento e reclamou da demora. “Só tem um médico atendendo por vez. Criança tem dificuldade para esperar”, diz. Mas, para a dona de casa, Ana Cláudia Alves Silva, o atendimento de ontem estava mais rápido do que anteontem, quando os pacientes acionaram, por volta das 19h, representantes da Comissão de Direitos Humanos da Subseção Bauru da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) para reclamar da situação. “Ontem (anteontem), a situação estava crítica. Hoje (ontem) ainda não está normal, mas melhorou”, disse pela manhã. Ela retornou ao PS para levar a filha que está com febre há cinco dias.
De acordo com a assessoria de imprensa da prefeitura, a greve também comprometeu o atendimento nos núcleos de saúde Centro, no Santa Edwirges, na Vila São Paulo, no Gasparini e na Vila Dutra. Na saúde, 56 funcionários estariam paralisados.
No final da tarde, os grevistas realizaram ato na porta do sindicato, com adesão de representantes de entidades como os ferroviários, bancários, PSTU, Comlutas, metalúrgicos e outros.